CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram o jornal das informações e vamos para a crônica.
Ah, meu povo! O dia 23 de junho resolveu vestir um chapéu de palha, acender a fogueira da ironia e assar, no mesmo espeto, esperança, escândalo e política. A realidade, essa roteirista debochada, acordou inspirada e escreveu um capítulo que faria até o exagero pedir moderação.
Em Aracaju, a notícia apareceu carregando uma mala tão pesada que até a gravidade perguntou se estava tudo declarado. Mais de duzentos mil reais foram apreendidos com um servidor da Educação. O dinheiro, coitado, parecia órfão de certidão de nascimento: ninguém soube explicar direito de onde veio. As notas ficaram mudas, envergonhadas, querendo virar confete de São João para escapar do interrogatório. Enquanto isso, o bolso da população, magro feito espantalho em tempo de seca, olhava a cena e murmurava: “Comigo só aparecem boletos; dinheiro vivo parece até criatura em extinção.”
E a corrupção, essa erva daninha que insiste em brotar nas rachaduras da ética, continua tentando transformar o jardim da administração pública em quintal de espertezas. Mas toda fogueira ilumina mais do que esquenta. Que as investigações queimem as sombras e deixem apenas as brasas da verdade, porque dinheiro público não é balão para sair voando sem dono.
Enquanto uns tropeçavam em montanhas de cédulas, os aeroportos brasileiros batiam recordes de passageiros. Quase cinquenta e cinco milhões de pessoas cruzaram os céus como se o Brasil tivesse criado asas. Os aviões pareciam sanfonas voadoras, tocando um baião entre as nuvens. O povo embarca carregando malas, sonhos, saudades e aquela esperança teimosa de que o destino sempre possa oferecer uma janela melhor que o corredor da vida. Afinal, viajar continua sendo a única fila onde até o atraso ganha sotaque de aventura.
E, do outro lado da Cordilheira, o Peru escolheu um novo capítulo de sua história. A democracia, essa senhora exigente que nunca dorme cedo, contou voto por voto até entregar o bastão do comando. A política latino-americana continua parecendo uma montanha-russa construída por poetas e engenheiros com excesso de imaginação: quando pensamos que a curva acabou, surge outra ainda mais inclinada.
Assim terminou este São João de notícias. A fogueira queimou madeira, a fumaça espalhou perguntas, os aviões desenharam sonhos no céu e a política mostrou, mais uma vez, que o mundo nunca perde o costume de nos surpreender. E nós, pobres cronistas da vida, seguimos rindo para não enferrujar a alma, porque quem perde a capacidade de rir acaba pagando juros à tristeza. Afinal, entre balões que sobem, malas que pesam e urnas que decidem, a vida continua dançando forró com a ironia, enquanto o bom senso procura, pacientemente, um par para a próxima música.




