CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O mundo resolveu desfilar de salto alto sobre um tapete de cascas de banana. Em Sergipe, a tal lavagem de dinheiro parecia mais uma lavanderia cinco estrelas: entrava um trocado de chinelo e saía uma Lamborghini perfumada, um Camaro penteado, joias reluzentes e relógios tão caros que até o tempo cobrava aluguel para passar neles. O dinheiro, esse danado, tomou banho de espuma, passou perfume francês e tentou convencer a Justiça de que nascera em berço de ouro. Mas a polícia apareceu com o sabão da lei e descobriu que nem todo brilho é estrela; às vezes é apenas purpurina tentando esconder a poeira da ganância.
Enquanto isso, a política, essa atriz veterana do teatro nacional, mais uma vez subiu ao palco distribuindo suspense. Operações, investigações, manchetes e discursos dançavam um forró desafinado, onde cada sanfona puxava a melodia para um lado e o cidadão, coitado, tentava descobrir quem estava tocando e quem estava apenas fingindo segurar o triângulo. A verdade, essa moça tímida, continuava escondida atrás da cortina, esperando a hora de entrar em cena.
Lá longe, do outro lado do planeta, a paz fez o papel de turista desavisada. Mal desembarcou, arrumou a mala para ficar, mas as bombas, ciumentas e mal-educadas, mandaram a tranquilidade pegar o primeiro voo de volta. A guerra é um incêndio que nunca aprende a respeitar a chuva; transforma lágrimas em rios e esperanças em fumaça. É o relógio da humanidade atrasando justamente quando todos sonham em chegar ao futuro.
No fim das contas, o planeta parece um grande circo onde alguns exibem carros milionários, outros colecionam manchetes, muitos carregam cicatrizes e quase todos pagam ingresso sem querer assistir ao espetáculo. Ainda assim, a esperança insiste em gargalhar. Ela é teimosa como um passarinho que constrói ninho em poste de alta tensão. E talvez seja essa a maior riqueza que ainda não conseguiram lavar, bloquear, sequestrar ou apreender: a capacidade de acreditar que um dia o ouro da honestidade valerá mais do que qualquer Lamborghini estacionada na garagem da vaidade. Afinal, carro de luxo impressiona os olhos; caráter, esse sim, acelera o coração.




