CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de junho de 2026
Publicado em 23/06/2026 às 0:48

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Ah, meu caro leitor, sente-se um instante, porque o mundo hoje resolveu cozinhar a realidade num caldeirão onde a esperança mexe a colher enquanto o medo sopra o fogo. Sergipe amanheceu distribuindo a vacina Pneumo 20, como quem entrega pequenos escudos invisíveis para enfrentar um exército microscópico. É bonito ver a ciência vestida de heroína, sem capa, sem fanfarra, apenas com uma seringa na mão e um sorriso escondido atrás da máscara da responsabilidade. Afinal, prevenir ainda é muito mais barato do que remendar o estrago que a doença faz quando resolve bater à porta sem pedir licença.

Enquanto isso, do outro lado das fronteiras, cubanos atravessam oceanos de saudade e desertos de incerteza para pedir refúgio no Brasil. A mala vem leve de roupas, mas pesada de sonhos. O passaporte carrega mais cicatrizes do que carimbos. A esperança, coitada, virou uma passageira clandestina que insiste em embarcar mesmo quando a realidade anuncia atraso no voo. E pensar que há quem reclame porque o Wi-Fi caiu por cinco minutos… Há pessoas que perderam foi o chão, o teto e até o direito de chamar um lugar de lar.

E como se o planeta já não estivesse suficientemente ocupado tentando apagar incêndios, surge Kim Jong Un lembrando ao mundo que ainda existem líderes que acreditam que paz se constrói empilhando bombas como quem faz coleção de fogos de artifício para uma festa onde ninguém foi convidado. Há governantes que tratam mísseis como crianças tratam figurinhas: “eu tenho mais que você!”. Pena que, nesse álbum, cada figurinha custa lágrimas, cidades e vidas.

O mundo parece um ônibus sem freio descendo uma ladeira de gelo: uns distribuem vacinas para salvar vidas, outros distribuem discursos capazes de adoecer a esperança. Entre seringas e ogivas, entre abraços e ameaças, entre quem foge da guerra e quem a alimenta, a humanidade continua caminhando na corda bamba da História.

Mas ainda acredito que o riso é um remédio sem bula, a solidariedade é uma vacina que não vence o prazo de validade e o bom senso continua sendo o único armamento capaz de derrotar o ódio sem disparar um único tiro. Porque, no fim das contas, quem planta medo colhe silêncio; quem planta esperança colhe futuro. E convenhamos: já está mais do que na hora de o planeta trocar os fabricantes de bombas pelos fabricantes de abraços. Afinal, abraço nunca provocou corrida armamentista… apenas uma epidemia deliciosa de humanidade.