CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Simbora, caro(a) leitor(a)! Pegue uma cadeira, um café fumegante e uma boa dose de bom humor, porque o domingo resolveu escrever um romance onde um tamanduá vira protagonista, o fogo dança quadrilha sem convite, celulares enlouquecem de madrugada e a História fecha mais um de seus velhos capítulos.
Logo cedo, em uma residência localizada no Bairro Alecrim, em Estância, no interior sergipano, um tamanduá resolveu provar que até a liberdade, às vezes, emperra no portão da vida. O bichão ficou entalado como político em promessa de campanha: entrou na conversa, mas não conseguia sair dela! Ainda bem que o Corpo de Bombeiros apareceu, mostrando que nem todo herói usa capa; alguns usam capacete, paciência e muito sangue-frio. O tamanduá saiu ileso, talvez pensando que os humanos são mesmo uma espécie curiosa: vivem construindo cercas e depois se espantam quando a natureza bate à porta.
Enquanto isso, em Frei Paulo, uma fábrica de calçados viu o fogo calçar botas de gigante e sair sapateando sobre caixas, resinas e máquinas. As chamas pareciam forrozeiras desajeitadas que confundiram fogueira de São João com linha de produção. O incêndio foi um lembrete de que o fogo é um empregado excelente quando obediente, mas um patrão terrível quando resolve pedir aumento.
E, como se o roteiro ainda precisasse de mais uma pitada de surrealismo, milhões de celulares tocaram com falsos alertas espalhando uma palavra difícil e um medo fácil. Ora, minha gente, já basta o despertador para tirar nosso sossego! Agora inventaram até notificação filosófica na madrugada. O cidadão mal abre os olhos e já encontra o pânico tomando café na sala. Parece que a tecnologia, às vezes, troca o diploma de inteligência pelo certificado de confusão. O Conselho Nacional de Direitos Humanos protocolou uma representação na Procuradoria da República no Distrito Federal, órgão do Ministério Público, solicitando a abertura de inquérito civil e investigação criminal para apurar discurso de ódio em falsos alertas enviados por um sistema da Defesa Civil.
A medida foi protocolada e ocorre após o disparo indevido de alertas extremos na madrugada, que atingiram milhões de celulares em diversas regiões do país. Os alertas continham a palavra “misantropia” ou variações. O termo significa aversão à humanidade.
Do outro lado do mar, despediu-se Ramiro Valdés. Aos 94 anos, fechou-se mais uma página da Revolução Cubana. A História é uma velha costureira: remenda bandeiras, rasga certezas e nunca deixa de lembrar que os homens passam, mas suas ideias continuam brigando entre si como galos em terreiro.
E assim termina mais um domingo, esse cronista de sandálias gastas chamado tempo. Um dia em que um tamanduá ensinou sobre liberdade, o fogo falou da fragilidade, o uso da tecnologia pregou uma peça nos brasileiros com o lamentável envio de falsos alertas carregados de discurso de ódio, e a História fez mais um minuto de silêncio. No fim das contas, a vida continua escrevendo suas crônicas com tinta de esperança, lágrimas de saudade e gargalhadas de ironia. E nós seguimos lendo, porque viver, afinal, é a única literatura que nunca aceita ponto final.




