CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de junho de 2026
Publicado em 14/06/2026 às 18:52

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O domingo amanheceu com o noticiário parecendo uma sanfona desafinada tocada por um maestro distraído montado num rinoceronte de patins. Em Aracaju, o viaduto das avenidas Francisco Porto e Gonçalo Rollemberg Leite resolveu entrar em tratamento de beleza estrutural. O velho gigante de concreto, cansado de carregar automóveis apressados e buzinas histéricas, pediu uma sessão de rejuvenescimento. E lá vai o trânsito, esse dragão fumegante que cospe impaciência pelas narinas, espalhar filas quilométricas capazes de fazer uma tartaruga ultrapassar um foguete estacionado. O cidadão aracajuano, herói olímpico da sobrevivência urbana, já prepara café, rede e talvez até uma certidão de residência para enfrentar os congestionamentos.

Enquanto isso, Lula embarcou para o G7 na França, onde diplomatas circulam como bailarinos em um baile de xícaras de porcelana. A expectativa de um encontro com Trump paira sobre o evento como um balão de São João carregado de especulações. A política internacional, essa novela escrita por roteiristas que nunca dormem, continua produzindo capítulos mais imprevisíveis que previsão de chuva em festa de forró.

Do outro lado do planeta, um árbitro somali foi impedido de entrar nos Estados Unidos, mas a FIFA decidiu garantir seu salário. Pelo menos a bola da justiça resolveu quicar na direção correta. Nem sempre o apito da vida marca falta contra os mais frágeis; às vezes ele surpreende e concede um pênalti à dignidade.

Mas o céu também vestiu luto. A queda de um monomotor levou vidas e sonhos, transformando o azul infinito em um silencioso mar de tristeza. Há notícias que chegam como espinhos escondidos em buquês de flores. Elas nos lembram que a existência é uma vela tremulando entre ventos caprichosos.

E, na Suíça, o povo rejeitou limitar a imigração. As montanhas pareceram responder com um eco de reflexão: talvez muros sejam mais fáceis de construir do que pontes, mas são as pontes que permitem encontros. O mundo segue dividido entre quem ergue cercas e quem abre portas.

Assim terminou mais um capítulo do grande circo terrestre. Viadutos adoecem, presidentes viajam, árbitros enfrentam fronteiras, aviões caem e nações debatem o futuro. E nós, pobres passageiros desse carrossel chamado humanidade, seguimos girando entre gargalhadas e lágrimas, tentando encontrar sentido enquanto o relógio, esse velho cobrador de impostos do tempo, continua avançando sem pedir licença.

Boa leitura, boa reflexão e, se possível, paciência no trânsito — porque às vezes ele anda mais devagar que promessa de político em ano sem eleição.