CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 10 de junho amanheceu com o mundo tropeçando nos próprios cadarços da razão. As notícias chegaram à porta da manhã como vendedores ambulantes de absurdos, carregando sacolas cheias de espanto, gargalhadas nervosas e algumas lágrimas escondidas entre os parágrafos.
Em Sergipe, uma senhora resolveu transformar o romance em filme de suspense. Diz a notícia que o companheiro, um octogenário que provavelmente sonhava com redes, café e tranquilidade, acordou no meio de um pesadelo armado com facão. O amor, esse passarinho que às vezes canta e às vezes bica, resolveu vestir armadura medieval e desfilar pelas estradas de Pirambu e Santo Amaro das Brotas. Cupido, constrangido, pediu licença e foi procurar outro emprego. Afinal, há relacionamentos que terminam com um adeus, outros com bloqueio nas redes sociais, mas alguns parecem querer encerrar o capítulo com efeitos especiais dignos de uma superprodução exageradamente trágica.
Enquanto isso, em Brasília, os institutos de pesquisa agitavam seus caldeirões estatísticos. Os números dançavam quadrilha sem sanfona, pulando de um lado para outro como cabritos eleitorais em festa junina. Os percentuais, essas criaturas misteriosas que mudam de humor mais rápido que previsão do tempo, resolveram movimentar o tabuleiro político. E o eleitor, coitado, continua observando tudo como quem assiste a uma novela em que os personagens discutem o roteiro enquanto o capítulo ainda está sendo gravado.
Mas eis que surge a Copa do Mundo de 2026, esse gigante planetário vestido de chuteiras e sonhos. Três países-sede. Três cerimônias de abertura. Quarenta e oito seleções. A bola, vaidosa como uma celebridade internacional, mal cabe em si de tanta importância. O futebol mais uma vez promete suspender fronteiras, unir idiomas e provocar infartos coletivos em torcedores que juram tranquilidade enquanto roem as unhas até o cotovelo. A humanidade pode discordar sobre quase tudo, mas continua encontrando uma estranha paz ao redor de uma esfera de couro perseguida por vinte e dois atletas.
E assim terminou mais um capítulo da grande comédia humana. Entre facões, pesquisas e bolas rolando, seguimos navegando neste oceano de notícias onde a lógica, às vezes, tira férias sem avisar. O mundo continua sendo um velho poeta distraído: escreve versos de esperança numa linha, tropeça no absurdo na seguinte e, ainda assim, insiste em rimar o futuro com a palavra sonho. E nós, leitores desse imenso jornal chamado vida, seguimos rindo para não chorar e sonhando para não desistir.




