CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Caro(a) leitor(a), boa leitura da crônica do 9º dia de junho de 2026.
Hoje acordei e encontrei o noticiário sentado na varanda, tomando café com a tristeza e jogando dominó com a ironia. As manchetes pareciam ter saído de um romance escrito por um poeta cansado e um humorista sem filtro.
Em Sergipe, quatorze gatos perderam a vida no campus da UFS. Quatorze pequenos habitantes de bigodes filosóficos, especialistas em cochilos acadêmicos e doutores honorários em miados. A notícia chegou silenciosa, mas pesou como um elefante usando botas de concreto. Os corredores da universidade pareciam perguntar, em voz baixa, que espécie de criatura consegue declarar guerra a seres que transformam qualquer canto em lar. Enquanto a Polícia Civil, o MPF e a universidade investigam o caso, a indignação passeia pelo campus como um gato sobrevivente procurando respostas entre as sombras.
Enquanto isso, a Copa do Mundo de 2026 aquece os corações dos torcedores e, aparentemente, também o termômetro do planeta. O futebol, esse mágico fabricante de lágrimas e abraços coletivos, prepara uma festa tão gigantesca que até as nuvens estão pensando em cobrar ingresso. Serão milhões de toneladas de carbono lançadas na atmosfera. O planeta Terra, esse velho senhor paciente que já suportou dinossauros, guerras e redes sociais, olha para nós e parece perguntar: “Vocês não podiam resolver isso com uma pelada no bairro?” A bola vai rolar, os gols vão explodir em alegria, mas a fumaça dos deslocamentos corre atrás do troféu como um atacante invisível.
Do outro lado do mundo, no Quênia, manifestantes e policiais entraram em confronto. Mais uma vez, a humanidade mostrou seu estranho talento para transformar divergências em tempestades. Uma vida foi perdida. E toda vez que uma vida se apaga, o mundo fica um pouco mais silencioso, como uma orquestra que perde um instrumento importante. A violência sempre chega prometendo soluções e sai deixando apenas cicatrizes e perguntas.
E eu, humilde observador desse circo planetário, fico imaginando que o mundo é um ônibus lotado dirigido pela pressa, abastecido pela contradição e com a buzina quebrada pela falta de escuta. Uns choram pelos gatos, outros comemoram os preparativos da Copa, outros protestam nas ruas. Todos, de alguma forma, procuram a mesma coisa: um pouco de justiça, um pouco de esperança e um pouco de humanidade.
Mas nem tudo está perdido. Se ainda somos capazes de nos indignar com a morte de animais, de refletir sobre os impactos ambientais e de nos preocupar com vidas interrompidas pela violência, então o coração humano continua funcionando. Talvez esteja desafinado, talvez esteja atrasado nas prestações da sensatez, mas continua batendo.
E assim termina mais um capítulo deste grande teatro chamado mundo, onde a tragédia entra pela porta da frente, a comédia tropeça no tapete e a esperança insiste em aparecer pela janela.
Até amanhã, caro(a) leitor(a). Afinal, as notícias passam, mas a necessidade de pensar sobre elas permanece. E pensar, nos dias atuais, já é um pequeno ato de coragem.




