CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de junho de 2026
Publicado em 12/06/2026 às 2:49

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

Começo a crônica de hoje tirando o chapéu, abrindo os braços e fazendo uma reverência poética à minha querida Japaratuba, esse jardim de memórias plantado no coração de Sergipe, esse celeiro de cultura onde os versos brotam mais ligeiros que milho em terra molhada. Parabéns, Japaratuba, pelos seus 167 anos de Emancipação Política! Que tua história continue dançando forró com o tempo, sem perder o compasso da esperança.

Enquanto os sinos da festa badalavam por aqui, o noticiário resolveu fazer sua tradicional quadrilha junina. Em Lagarto e Aquidabã, o Tribunal de Contas apareceu vestido de fiscal do arraial e puxou o freio da carroça dos contratos milionários. O dinheiro público, esse personagem que vive fugindo igual bode em dia de feira, foi chamado para uma conversa séria. E o povo, sentado na arquibancada da democracia, assistiu ao espetáculo perguntando se a sanfona tocava ou se o caixa desafinava. Há festas tão caras que parecem querer contratar até a lua para iluminar o palco e as estrelas para fazer backing vocal.

Enquanto isso, lá em Brasília, as big techs receberam um bilhete do STF que, traduzido para o português do cotidiano, dizia mais ou menos assim: “Arrumem a casa em sessenta dias”. A internet, essa praça pública onde convivem filósofos, poetas, especialistas de ocasião e doutores formados pela Universidade do Grupo de WhatsApp, foi chamada à responsabilidade. Alguns comemoram, outros reclamam, e os algoritmos, coitados, devem estar passando a madrugada tomando café e fazendo terapia.

Nas vitrines do mundo, surge o tal “Brazil Core”. De repente, aquilo que muitos brasileiros escondiam no armário agora virou passarela internacional. O Brasil entrou na moda usando verde, amarelo, alegria e um sorriso capaz de iluminar apagões emocionais. O que era costume virou tendência. O que era cotidiano virou produto. O que era identidade virou negócio. O brasileiro, que sempre transformou dificuldade em samba e crise em piada, agora exporta também seu jeito de existir.

Mas o dia também trouxe silêncio. Morreu Brito, o zagueiro da lendária Seleção de 1970. E quando parte um jogador daqueles, não é apenas um homem que se despede. Vai embora um pedaço da memória nacional, uma página viva do álbum de figurinhas da história. As chuteiras descansam, mas as lembranças continuam correndo pelos gramados da saudade.

E a Copa do Mundo de 2026 já começou espalhando emoções pelo planeta. México e Coreia do Sul venceram os primeiros jogos da Copa e o futebol, esse poeta de chuteiras, voltou a fazer seu trabalho favorito: transformar noventa minutos em eternidade. Há torcedores que envelhecem dez anos em um único jogo e rejuvenescem vinte com um gol nos acréscimos.

No fim das contas, o dia 11 de junho foi um daqueles dias em que a realidade resolveu escrever poesia satírica. Entre festas suspensas, redes sociais vigiadas, modas exportadas, despedidas emocionantes e gols comemorados, seguimos todos navegando nesse oceano chamado Brasil. Um país onde a esperança dança forró com a ironia, onde a crítica toma café com o humor, e onde até as notícias mais sérias acabam encontrando uma cadeira na varanda para prosear com a alma do povo.

E assim termina mais um capítulo desse grande romance chamado cotidiano, onde cada manchete é um personagem, cada cidadão é um narrador e cada amanhecer insiste, teimosamente, em escrever um novo começo.