CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de junho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 12 de junho de 2026
Publicado em 13/06/2026 às 12:24

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O noticiário desta sexta-feira resolveu vestir chapéu de mágico, sapato de palhaço e gravata de burocrata. Em Aracaju, a reunião do transporte metropolitano terminou do mesmo jeito que namoro em festa junina quando acaba a energia: cada um segurando sua própria lanterna e ninguém encontrando a saída. A mesa de negociação virou uma carroça atolada no lamaçal das divergências, enquanto os passageiros, esses heróis anônimos do relógio e da catraca, continuam praticando o esporte radical de esperar ônibus. O acordo fugiu pela janela igual foguete assustado, deixando apenas o eco dos discursos e o perfume agridoce das promessas.

Enquanto isso, em Brasília, surgiu mais um daqueles penduricalhos salariais que brotam na administração pública com a velocidade de mato depois da chuva. O novo benefício apareceu tão elegante que parecia ter saído de um desfile de luxo para contracheques. O contribuinte olhou para a novidade com a mesma expressão de quem abre a geladeira esperando encontrar um bolo e descobre apenas uma cebola solitária. A criatividade brasileira, quando o assunto é inventar nomes sofisticados para gratificações, consegue competir até com poetas barrocos e autores de novelas mexicanas.

Lá no céu das finanças, a SpaceX resolveu acender os foguetes e decolou na bolsa de valores. As ações subiram tanto que quase precisaram pedir autorização à torre de controle celestial. Investidores correram atrás dos papéis como crianças atrás de pamonha grátis em quermesse. Elon Musk, esse alquimista moderno que transforma sonhos futuristas em manchetes bilionárias, viu sua nave financeira atravessar nuvens de dólares enquanto aqui na Terra muita gente ainda tenta descobrir por que o sinal do celular desaparece justamente quando chega a mensagem mais importante.

E assim segue o mundo: um ônibus procurando acordo, um penduricalho procurando justificativa e um foguete procurando as estrelas. Entre gargalhadas e suspiros, aprendemos que a realidade é uma comediante talentosa. Ela escreve piadas com tinta de ironia, encena dramas em palco de concreto e nos lembra, todos os dias, que a humanidade continua sendo uma imensa feira livre onde se vende esperança, se compra paciência e se distribuem surpresas sem nota fiscal. Afinal, como diria o velho calendário, cada dia é um capítulo novo desse romance maluco entre o absurdo e a vida.