CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de julho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de julho de 2026
Publicado em 17/07/2026 às 11:46

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 14 de julho de 2026 acordou com cheiro de fumaça, barulho de votação e o planeta inteiro parecendo uma panela de pressão esquecida no fogão da História. Na Barra dos Coqueiros, um ferro-velho no bairro Moisés Gomes resolveu abandonar a aposentadoria da sucata e virar protagonista de filme de ação. O fogo subiu com tanta vontade que parecia querer pedir cidadania no Sol, enquanto uma nuvem de fumaça se espalhava pelo céu como se alguém tivesse colocado o horizonte para assar sem consultar a meteorologia. Os bombeiros correram, os moradores se assustaram e até os ferros retorcidos, que já tinham sobrevivido a carros velhos, ferrugem e buracos de rua, descobriram que sempre existe uma terça-feira disposta a piorar o currículo. O perigo de as chamas alcançarem as casas vizinhas lembrou uma velha verdade: fogo não respeita muro, CEP nem escritura — quando encontra descuido, transforma a tragédia em vizinha de porta.

Enquanto isso, em Brasília, o Senado abriu o grande picadeiro da política e aprovou, por 73 votos a 1 nos dois turnos, a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. A proposta ganhou o apelido de “pauta-bomba” para o governo, mas, na hora da votação, até governistas apertaram o botão verde. Foi uma daquelas cenas em que a política brasileira olha para a lógica, oferece um cafezinho e manda a coitada esperar do lado de fora. De repente, situação e oposição pareciam parentes reunidos em fotografia de casamento: podem até discordar sobre quase tudo, mas naquele instante sorriram para a mesma câmera. No meio das contas, dos discursos e das calculadoras quase pedindo atendimento psicológico, permanece uma questão essencial: quem passa a vida batendo de porta em porta, enfrentando sol, chuva, cachorro desconfiado e mosquito sem carteira assinada merece que seu trabalho seja reconhecido com dignidade. O problema é que, no Brasil, até quando a justiça social bate à porta, o orçamento pergunta primeiro: “Quem é?” e olha desconfiado pelo olho mágico.

Do outro lado do mundo, os Estados Unidos mostraram que até a maior potência militar pode tropeçar no próprio cofre. Senadores democratas bloquearam um gigantesco projeto de gastos com defesa, estimado em US$ 1 trilhão por ano, em meio à oposição à guerra contra o Irã. Um trilhão! É tanto dinheiro que a calculadora olha para os zeros, suspira e pede férias. O Pentágono parecia pronto para receber um cartão de crédito com limite suficiente para comprar até o estacionamento de Marte, mas a política puxou o freio. Chuck Schumer e outros senadores disseram não diante de uma guerra que já atravessava meses sem enxergar a placa luminosa escrita “saída”. E eis a velha humanidade, especialista em inventar inteligência artificial enquanto continua usando sua inteligência natural para aperfeiçoar a arte milenar de fabricar conflitos.

No fim das contas, caro leitor, esta terça-feira nos entregou três retratos pendurados na parede torta do mundo: um ferro-velho em chamas, uma votação incendiando debates em Brasília e uma guerra queimando bilhões do outro lado do planeta. Parece que o fogo resolveu trabalhar em regime de hora extra. Que ao menos aprendamos uma coisa: incêndios precisam de bombeiros, trabalhadores precisam de dignidade e guerras precisam urgentemente de menos combustível. Porque a humanidade já gastou séculos demais aprendendo a produzir armas capazes de destruir o mundo e tempo de menos descobrindo como desarmar o orgulho que mora dentro de nós. Entre a fumaça da Barra dos Coqueiros, as bombas fiscais de Brasília e as bombas verdadeiras das guerras, seguimos nós, pobres passageiros desta nave chamada Terra, procurando um extintor para a estupidez humana. E, convenhamos, se existir um grande o suficiente, é melhor comprar logo dois — porque, pelo andar das notícias, um só não vai dar conta!