CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 14 de julho de 2026 acordou com cheiro de fumaça, barulho de votação e o planeta inteiro parecendo uma panela de pressão esquecida no fogão da História. Na Barra dos Coqueiros, um ferro-velho no bairro Moisés Gomes resolveu abandonar a aposentadoria da sucata e virar protagonista de filme de ação. O fogo subiu com tanta vontade que parecia querer pedir cidadania no Sol, enquanto uma nuvem de fumaça se espalhava pelo céu como se alguém tivesse colocado o horizonte para assar sem consultar a meteorologia. Os bombeiros correram, os moradores se assustaram e até os ferros retorcidos, que já tinham sobrevivido a carros velhos, ferrugem e buracos de rua, descobriram que sempre existe uma terça-feira disposta a piorar o currículo. O perigo de as chamas alcançarem as casas vizinhas lembrou uma velha verdade: fogo não respeita muro, CEP nem escritura — quando encontra descuido, transforma a tragédia em vizinha de porta.
Enquanto isso, em Brasília, o Senado abriu o grande picadeiro da política e aprovou, por 73 votos a 1 nos dois turnos, a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. A proposta ganhou o apelido de “pauta-bomba” para o governo, mas, na hora da votação, até governistas apertaram o botão verde. Foi uma daquelas cenas em que a política brasileira olha para a lógica, oferece um cafezinho e manda a coitada esperar do lado de fora. De repente, situação e oposição pareciam parentes reunidos em fotografia de casamento: podem até discordar sobre quase tudo, mas naquele instante sorriram para a mesma câmera. No meio das contas, dos discursos e das calculadoras quase pedindo atendimento psicológico, permanece uma questão essencial: quem passa a vida batendo de porta em porta, enfrentando sol, chuva, cachorro desconfiado e mosquito sem carteira assinada merece que seu trabalho seja reconhecido com dignidade. O problema é que, no Brasil, até quando a justiça social bate à porta, o orçamento pergunta primeiro: “Quem é?” e olha desconfiado pelo olho mágico.
Do outro lado do mundo, os Estados Unidos mostraram que até a maior potência militar pode tropeçar no próprio cofre. Senadores democratas bloquearam um gigantesco projeto de gastos com defesa, estimado em US$ 1 trilhão por ano, em meio à oposição à guerra contra o Irã. Um trilhão! É tanto dinheiro que a calculadora olha para os zeros, suspira e pede férias. O Pentágono parecia pronto para receber um cartão de crédito com limite suficiente para comprar até o estacionamento de Marte, mas a política puxou o freio. Chuck Schumer e outros senadores disseram não diante de uma guerra que já atravessava meses sem enxergar a placa luminosa escrita “saída”. E eis a velha humanidade, especialista em inventar inteligência artificial enquanto continua usando sua inteligência natural para aperfeiçoar a arte milenar de fabricar conflitos.
No fim das contas, caro leitor, esta terça-feira nos entregou três retratos pendurados na parede torta do mundo: um ferro-velho em chamas, uma votação incendiando debates em Brasília e uma guerra queimando bilhões do outro lado do planeta. Parece que o fogo resolveu trabalhar em regime de hora extra. Que ao menos aprendamos uma coisa: incêndios precisam de bombeiros, trabalhadores precisam de dignidade e guerras precisam urgentemente de menos combustível. Porque a humanidade já gastou séculos demais aprendendo a produzir armas capazes de destruir o mundo e tempo de menos descobrindo como desarmar o orgulho que mora dentro de nós. Entre a fumaça da Barra dos Coqueiros, as bombas fiscais de Brasília e as bombas verdadeiras das guerras, seguimos nós, pobres passageiros desta nave chamada Terra, procurando um extintor para a estupidez humana. E, convenhamos, se existir um grande o suficiente, é melhor comprar logo dois — porque, pelo andar das notícias, um só não vai dar conta!




