CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 09 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 09 de julho amanheceu com a Terra escrevendo poesia e ironia na mesma folha. Enquanto alguns seres humanos ainda tropeçam na própria consciência, uma pequena pardela-sombria resolveu ensinar geografia, coragem e persistência sem nunca ter precisado de diploma. Viajou mais de dois mil quilômetros, como quem dissesse ao mundo que a liberdade não conhece CEP, nem fronteiras, nem o GPS das nossas desculpas. Ah, se certos políticos tivessem metade do senso de direção daquela ave… talvez encontrassem o caminho da coerência antes de descobrir o da próxima eleição.
No Rio Grande do Sul, um réptil de 240 milhões de anos saiu do silêncio das pedras para lembrar que a história é um baú teimoso: sempre guarda uma surpresa para quem acredita que já sabe tudo. O velho fóssil parecia cochichar entre as rochas: “Calma, humanidade! Eu sobrevivi ao tempo; vocês talvez não sobrevivam à própria pressa.” Que ironia! O passado continua mais paciente do que o presente, enquanto muita gente envelhece sem amadurecer e vive correndo atrás do relógio, como se pudesse vencer o calendário numa corrida de chinelos.
E, do outro lado do oceano, o fogo resolveu brincar de rei na Espanha. Mas incêndio não faz festa; faz luto. As chamas dançaram um balé cruel, pintando de cinza aquilo que antes era verde, lembrando que a natureza, quando perde a paciência, fala mais alto que qualquer discurso inflamado. O vento carregava fumaça, mas também um aviso: a Terra não grita por vingança; ela apenas devolve o eco da nossa irresponsabilidade.
No fim das contas, o mundo parecia um grande teatro onde uma ave dava aula de esperança, um fóssil oferecia lições de humildade e um incêndio escrevia, com brasas, uma carta amarga à humanidade. E nós? Seguimos correndo, brigando por tão pouco, discutindo por vaidades que não sobrevivem nem ao próximo café. Talvez seja hora de aprender com os pássaros a voar mais alto, com as pedras a guardar memória e com o fogo a respeitar aquilo que ainda insiste em florescer. Porque, no grande espetáculo da vida, quem ri da natureza acaba descobrindo, tarde demais, que ela sempre fica com a última gargalhada.




