CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia 15 de julho de 2026 acordou chutando a bola da realidade para fora do estádio do bom senso. Em Sergipe, 39 jovens atletas e seus familiares descobriram que existe gente capaz de driblar até a esperança: um suspeito teria aplicado um golpe de cerca de R$ 80 mil numa viagem para um torneio na Bahia. O sujeito prometeu hospedagem e entregou um pacote turístico completo para o país da frustração, com direito a reserva no Hotel Sumiu, café da manhã servido pela Agência Ninguém Sabe e vista panorâmica para o prejuízo. O sonho dos meninos era correr atrás da bola; acabaram vendo adultos correndo atrás do dinheiro. Felizmente, o apito da polícia soou em Maceió e o suspeito foi preso. Que fique a lição: no futebol da vida, há malandro que pensa ser camisa 10 da esperteza, mas termina descobrindo que a Justiça também sabe aplicar cartão vermelho.
Talvez por isso tenha chegado em boa hora a notícia de que o Senado aprovou a inclusão da educação financeira no currículo escolar. Aleluia! Quem sabe nossas crianças finalmente aprendam que dinheiro não nasce em árvore, cartão de crédito não é varinha mágica e empréstimo não é parente rico distribuindo presentes. Num país onde até o salário parece praticar atletismo — entra correndo na conta e desaparece numa velocidade capaz de ganhar medalha olímpica — ensinar finanças é quase uma disciplina de sobrevivência. Quem sabe, no futuro, além de perguntar “quanto é dois mais dois?”, a escola ensine também: “Se você ganha quatro e deve oito, quantas noites de sono lhe restam?”. A matemática responderá com uma calculadora; o brasileiro, provavelmente, com um suspiro.
Mas enquanto algumas salas de aula tentam ensinar a construir futuros, na Ucrânia a guerra continua apagando presentes. Ataques russos mataram 13 pessoas e feriram dezenas, lembrando ao mundo que, quando os poderosos brincam de xadrez, são os inocentes que viram peças quebradas no chão. Não existe metáfora suficientemente engraçada para uma bomba, nem ironia capaz de devolver uma vida. A guerra é o fracasso da humanidade vestido de uniforme, marchando sobre os escombros enquanto mães choram, crianças tremem e a paz permanece sentada numa estação esperando um trem que parece sempre atrasado.
E assim terminou mais um dia neste planeta de contrastes: de um lado, gente roubando sonhos de meninos que queriam jogar futebol; do outro, escolas tentando ensinar como proteger o dinheiro; e, mais longe, bombas mostrando que ainda precisamos aprender a proteger aquilo que dinheiro nenhum consegue comprar: a vida. Talvez a humanidade precise urgentemente de uma nova matéria obrigatória, ensinada da infância até a velhice: Educação para a Consciência. A prova seria simples: respeitar o próximo, não roubar seus sonhos e entender que nenhuma vitória vale o sangue de um inocente. Infelizmente, olhando o noticiário, parece que muita gente ainda está repetindo de ano.




