CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de julho de 2026

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de julho de 2026
Publicado em 17/07/2026 às 11:35

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

No Dia Mundial do Rock, o planeta resolveu afinar as guitarras da ironia e montar um festival onde o maestro era o absurdo. O solo da humanidade começou em Aracaju, onde os escorpiões parecem ter criado sindicato, associação de moradores e até campeonato de picadas. São tantos que, se continuarem nesse ritmo, vão pedir CEP, título de eleitor e talvez até um trio elétrico para desfilar no próximo verão. Enquanto isso, muita gente insiste em transformar o quintal em hotel cinco estrelas para os visitantes de oito patas. A vassoura aposentou-se antes da hora, o entulho virou condomínio de luxo e o escorpião agradeceu o pacote turístico com uma ferroada de cortesia. A natureza até avisa, mas há quem só escute quando a dor toca um solo de guitarra na ponta do dedo.

Em outro palco desse grande rock da realidade, as apostas continuam tentando seduzir adolescentes como um vendedor de ilusões distribuindo balas de açúcar recheadas de prejuízo. O Ministério da Justiça resolveu aumentar o volume dos amplificadores e lembrar que lei não é playlist para ficar pulando faixa. Afinal, quando a esperança entra pela porta, o vício costuma fugir pela janela… mas, quando o lucro entra pela janela, a consciência às vezes sai escondida pelo telhado.

E lá dos Estados Unidos veio outro acorde desafinado. Uma juíza resolveu desligar a caixa de som de um acordo envolvendo Donald Trump e o Fisco americano, afirmando que a Justiça não nasceu para ser karaokê de interesses poderosos. O martelo bateu como um baterista de rock em noite inspirada, lembrando ao mundo que até os gigantes tropeçam quando dançam sobre o próprio ego. O poder, quando exagera no volume, costuma desafinar a melodia da democracia.

No fim das contas, o Dia Mundial do Rock nos lembrou que a vida continua sendo um eterno show ao vivo: uns tocam violão, outros tocam o terror; uns afinam a consciência, outros desafinam a ética; uns espalham flores, outros criam escorpiões, apostas e confusões. E nós, pobres espectadores desse concerto maluco chamado humanidade, seguimos rindo para não chorar, porque quem perde o humor acaba virando plateia do desespero. Que o rock continue nos ensinando a fazer barulho contra a injustiça, a ignorância e a indiferença, pois o silêncio, esse sim, sempre foi o pior dos refrões.