CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de julho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Abram as páginas do jornal e apertem os cintos da imaginação, porque o planeta resolveu subir ao palco usando nariz de palhaço, gravata de banqueiro, botas de bombeiro e um chapéu de mágico esquecido. O espetáculo começou cedo. Na Praia dos Artistas, uma jiboia resolveu passear como se procurasse um guarda-sol, um coco gelado e um bronzeado de respeito. Assustada, encontrou humanos ainda mais assustados. Coube aos bombeiros devolver a elegante visitante ao camarim da natureza, porque cobra gosta mesmo é de mata; quem insiste em viver enrolado com política já tem espécies suficientes por aí. A jiboia, pelo menos, não prometeu milagres, não pediu voto e saiu sem deixar rombo nos cofres públicos. Que belo exemplo de cidadania reptiliana!
Logo depois, o palco mudou de cenário e os números entraram fantasiados de gigantes. Cento e dezenove milhões de reais desfilaram pelas manchetes como elefantes dançando balé sobre cristais. O dinheiro, esse camaleão que troca de pele mais rápido do que muda de discurso, parecia brincar de esconde-esconde com a honestidade. E o povo, velho malabarista da sobrevivência, segurava o bolso com as duas mãos, porque no Brasil até a carteira já desenvolveu instinto de autopreservação.
Enquanto isso, no Paraná, seis apostas acertaram cinco números da Mega-Sena. Ah, a loteria… essa fábrica nacional de castelos erguidos sobre nuvens de esperança! Durante alguns minutos, o pedreiro vira milionário em pensamento, a professora compra uma ilha imaginária, o aposentado encomenda um iate invisível e até o padeiro começa a escolher a cor da piscina. Sonhar continua sendo o investimento que rende mais juros ao coração do que ao banco.
Do outro lado do mundo, o tufão Bavi avançava sobre a Ásia como um maestro furioso sacudindo árvores, telhados e vaidades humanas. Mais de um milhão e oitocentas mil pessoas foram retiradas das áreas de risco. A natureza, quando resolve levantar a voz, faz qualquer arranha-céu parecer um castelo de cartas. O vento gritava, a chuva escrevia poesia nas ruas e a humanidade reaprendia que a maior tecnologia continua sendo proteger vidas.
Mas, quando parecia que o jornal já havia contado todas as suas travessuras, o futebol vestiu luto. Jayden Adams, jovem meia da seleção da África do Sul, que encantou o mundo na Copa de 2026, despediu-se da vida aos 25 anos. A bola ficou órfã de um dos seus sonhos, o gramado silenciou, as chuteiras perderam o compasso e até as redes dos gols pareciam chorar em silêncio. A morte, essa árbitra implacável que nunca consulta o VAR, apitou o fim de uma partida cedo demais. O estádio da existência abaixou as luzes, e o coração dos amantes do futebol entrou em respeitoso minuto de silêncio.
Assim terminou o dia 11 de julho: uma cobra lembrando que nem toda serpente é perigosa; o dinheiro provando que alguns números mordem mais do que qualquer réptil; a Mega-Sena distribuindo esperança em prestações; um tufão ensinando que a natureza continua sendo a verdadeira dona do planeta; e o futebol, entre lágrimas, despedindo-se de um jovem talento que ainda tinha muitos dribles para oferecer ao mundo.
A vida continua sendo esse circo extraordinário onde o riso e a lágrima dividem o mesmo banco da plateia. Uns perseguem fortuna, outros escapam das tempestades, alguns enfrentam cobras, e todos, sem exceção, jogam diariamente uma partida contra o tempo. Que possamos rir quando o humor nos visitar, refletir quando a ironia nos provocar e abraçar a vida enquanto ela ainda nos convida para entrar em campo, porque o apito final sempre chega — mas ninguém sabe em qual minuto da partida.




