CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de julho de 2026

Sergipe em Festa, o Mundo em Contradição

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de julho de 2026
Publicado em 09/07/2026 às 3:06

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O oito de julho amanheceu vestido de azul, branco, verde e amarelo, soprando as velinhas da Emancipação Política de Sergipe como quem canta parabéns para uma terra que aprendeu a transformar coragem em endereço. Mas o mundo, esse dramaturgo exagerado, resolveu misturar bolo com tempestade, confete com fumaça e esperança com buzina.

Lá no Golfo Pérsico, o mar parecia ter engolido a paz e devolvido apenas ondas de preocupação. Seis mil marinheiros ficaram presos entre o sal e o medo, enquanto a guerra, essa senhora mal-educada, insistia em brincar de capitã dos oceanos. O mar chorava em gotas salgadas, e até os peixes, se votassem, pediriam o impeachment da violência. Guerra é uma fábrica que produz viúvas, órfãos e discursos vazios; nunca fabricou felicidade nem um único abraço.

Enquanto isso, o Senado resolveu mirar um dos maiores predadores da paciência humana: o telemarketing inconveniente. Ah, que notícia perfumada! Talvez o telefone finalmente descubra que nasceu para aproximar pessoas, e não para interromper o café, o banho, o cochilo e até aquela sagrada ida ao banheiro. Se a proposta funcionar, muita gente vai atender o celular sem imaginar que do outro lado não existe alguém oferecendo um empréstimo “imperdível” para quem já deve até ao travesseiro.

As apostas esportivas também entraram na roda da política. Um pedaço do dinheiro das bets seguirá para fortalecer a Polícia Federal. É curioso como a sorte de uns tenta financiar o combate ao azar de outros. A roleta gira, a esperança pisca o olho, a carteira emagrece e a realidade, sempre bem-humorada, pergunta: “Quem foi mesmo o grande vencedor?”

Na Ponte Construtor João Alves, três veículos resolveram ensaiar um balé desajeitado de latarias, transformando o trânsito num museu de buzinas desafinadas. O congestionamento esticou o relógio, os motores suspiraram fumaça e a paciência dos motoristas pediu aposentadoria antecipada. E, como se o espetáculo precisasse de um vilão, surgiu a suspeita de embriaguez ao volante. O álcool, esse falso maestro da coragem, continua convencendo alguns de que dirigir é um videogame. Não é. No trânsito, cada irresponsabilidade escreve uma tragédia antes mesmo que a sirene termine de cantar.

Assim passou o dia. Sergipe comemorando sua liberdade, o mundo implorando por paz, o telefone aprendendo educação, as apostas dividindo responsabilidades e uma ponte lembrando que a pressa nunca chegou antes da prudência. No fim das contas, a vida continua sendo essa professora exigente que reprova a arrogância, faz prova surpresa para o bom senso e entrega diploma apenas para quem aprende que respeito, paz e responsabilidade ainda são os maiores patrimônios de qualquer povo. E, convenhamos, se o mundo tivesse menos guerra, menos ligações inconvenientes e menos motoristas que confundem volante com copo, até o calendário pediria bis para um dia como este.