CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de junho de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Meu caro leitor, o dia 24 de junho resolveu vestir uma camisa de festa junina, calçar botas de palhaço, pegar emprestada a capa da tragédia e sair dançando quadrilha com a ironia. A vida, essa roteirista que nunca perde o prazo, escreveu mais um capítulo em que o riso tropeça na lágrima e a esperança insiste em acender sua lamparina no meio da ventania.
Logo cedo, um homem decidiu que a eletricidade seria seu atalho para a riqueza. Foi conversar com os fios da Ponte Aracaju-Barra sem pedir licença à dona Energia, essa senhora temperamental que não aceita mãos curiosas. O resultado foi um abraço tão quente que São João ficou com inveja! A explosão gritou mais alto que trio elétrico, e os dois correram numa velocidade que faria até raio pedir aula de corrida. Moral da história? Há riquezas que queimam antes mesmo de chegar ao bolso, e certos atalhos são apenas estradas asfaltadas para o arrependimento.
Enquanto isso, em Brasília, a política ensaiava mais um daqueles forrós onde ninguém sabe quem está puxando o fole e quem está desafinando a sanfona. O senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após os desdobramentos da investigação envolvendo o Banco Master. Na capital da República, as cadeiras parecem ter rodinhas: hoje abraçam um ocupante, amanhã já estão namorando outro. O poder continua sendo um elevador curioso: sobe muita gente, desce muita gente e, às vezes, para justamente no andar da desconfiança.
Mas o futebol, esse poeta de chuteiras, resolveu distribuir sorrisos. O Brasil despachou a Escócia por 3 a 0 e carimbou o passaporte para a próxima fase da Copa do Mundo. A bola sambou, a rede sorriu de orelha a orelha e até o sofá do torcedor terminou a partida precisando de fisioterapia depois de tantos pulos. O brasileiro pode reclamar do trânsito, da conta de luz e até do preço do milho da pamonha, mas basta a Seleção vencer que o coração veste verde e amarelo e sai cantando desafinado, convencido de que felicidade também sabe jogar bola.
E quando parecia que o roteiro já estava completo, a Terra resolveu espreguiçar-se na Venezuela. Um terremoto sacudiu Caracas e lembrou à humanidade, com a força de um gigante invisível, que o chão sob nossos pés nem sempre é sinônimo de certeza. Prédios caíram, sonhos estremeceram e o medo caminhou pelas ruas como um visitante indesejado. Nessas horas, desaparecem fronteiras, ideologias e discursos. Resta apenas o abraço invisível da solidariedade. Ao povo venezuelano, nosso carinho, nossas orações e a esperança de que, entre os escombros, floresça novamente a coragem de reconstruir.
Assim terminou o dia: um ladrão descobrindo que eletricidade não aceita fiado, a política dançando conforme a música dos acontecimentos, a Seleção Brasileira fazendo a torcida esquecer por noventa minutos as dores do cotidiano e a natureza lembrando, com sua força implacável, que o ser humano continua pequeno diante da grandiosidade do planeta. A vida é mesmo uma sanfona: ora estica de alegria, ora aperta de tristeza. E nós seguimos tocando, porque desistir nunca foi um ritmo que o coração brasileiro soube dançar.




