CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Março saiu de fininho, como um velho poeta cansado que deixa o palco com os bolsos cheios de metáforas e os olhos marejados de despedida. Foi embora chorando em um canto e sorrindo no outro, feito quem perde o ônibus da vida, mas ganha um pôr do sol de consolação.
E no teatro do mundo, o futebol — esse circo onde a bola é rainha e os jogadores são equilibristas do destino — resolveu dar seu espetáculo final de mês. A Europa distribuiu seus últimos convites como quem entrega bilhetes dourados para a festa do planeta: Bósnia, Suécia, Turquia e República Tcheca entraram no baile. E a Itália… ah, a Itália… ficou do lado de fora pela terceira vez, como aquele convidado elegante que esqueceu o próprio nome na portaria da história. O garçom do destino olhou e disse: “Hoje não, signore.” Na repescagem intercontinental, a República Democrática do Congo superou a Jamaica por 1 a 0, na prorrogação, e estará no Mundial. O Iraque venceu a Bolívia por 2 a 1 e é o outro classificado para a Copa do Mundo.
Enquanto isso, o Brasil — esse gigante que às vezes tropeça nas próprias chuteiras — resolveu dançar um samba em Orlando. Venceu a Croácia por 3 a 1, num jogo que mais parecia ensaio de escola de samba antes do desfile. Danilo, Igor Thiago e Martinelli foram os ritmistas da noite, enquanto Endrick entrou como aquele jovem aprendiz que já chega pedindo passagem. E Ancelotti, maestro de sobrancelhas filosóficas, afinava sua orquestra como quem escolhe estrelas para iluminar o céu da Copa.
Mas nem só de gols vive o coração do mundo. Em Sergipe, o mar — esse velho contador de histórias salgadas — devolveu um tubarão morto, como quem entrega uma carta triste escrita pela natureza. Foi a marisqueira Érika quem encontrou o silêncio daquele corpo, um silêncio que grita. O oceano, cansado de ser saqueado, parece ter dito: “Eu também sangro.”
E lá longe, nos gabinetes onde o poder veste terno e fala difícil, o diesel virou protagonista de um teatro econômico. Lula e os estados decidiram dar um empurrão no combustível, como quem tenta empurrar um carro velho morro acima com fé e subsídio. Um real e vinte por litro — uma espécie de “vale-esperança” temporário para um país que vive na gangorra dos preços.
No cenário internacional, o mundo treme como gelatina em terremoto. O Irã, com voz de trovão e dedos apontados, ameaça gigantes tecnológicos — como se dissesse: “Até os deuses de silício podem sangrar.” Microsoft, Google, Tesla… todos na mira de um jogo perigoso onde as peças são gigantes, mas o tabuleiro é frágil.
E assim março fechou suas cortinas: com gols, ameaças, tubarões mortos e promessas políticas. Um mês que foi ao mesmo tempo esperança e ressaca, riso e rangido de dentes.
Porque o mundo, meu caro leitor, é esse romance maluco escrito por um autor bêbado de realidade — onde cada dia é um capítulo que ri da gente… enquanto a gente tenta, teimosamente, rir de volta.




