CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de Agosto de 2025

“Agosto Sai de Cena com Gargalhadas de Ferro e Lágrimas de Chuva”

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de Agosto de 2025
Publicado em 31/08/2025 às 22:15

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Agosto, esse velho dramaturgo de barba grisalha, fechou o pano do palco com um suspiro. Saiu do calendário feito ator cansado que esquece a última fala, mas ainda arranca aplausos da plateia. “Tchau, Agosto!”, disseram os jornais, como se despedissem de um parente incômodo que, mesmo mal-humorado, deixa saudades. Mas antes de atravessar o portal para o esquecimento, ele resolveu jogar mais umas pedras no caminho da humanidade. Vamos às cenas.


A chuva que vem rezando ladainhas

Em Sergipe, as nuvens ensaiaram um coro de ladainhas molhadas: “chuva fraca a moderada”, anunciou a Semac, como quem promete lágrimas contidas de santo em procissão. No litoral e no agreste, a água virá com mais fervor, lembrando que céu também sabe pregar sermão quando o chão insiste em ser poeira. Agosto, antes de sair, deixou sua herança líquida, molhando telhados e corações.


Corrida do Fogo: o trânsito virando labirinto

Enquanto isso, na Praça Fausto Cardoso, a Semana da Pátria prepara seu prólogo com a Corrida do Fogo Simbólico. A chama, que deveria unir, vai dividir: ruas bloqueadas, buzinas em surdina desafinada, motoristas xingando como se fossem poetas malditos recitando em ritmo de buzina. O trânsito em Aracaju é sempre uma coreografia de improviso: carros rodopiando, motociclistas em piruetas, pedestres tentando atravessar como equilibristas num picadeiro de asfalto.


Hospedagem na COP30: o hotel da hipocrisia

No Pará, um rascunho do governo federal tenta controlar os preços abusivos de hospedagens para a COP30. Multas de até 100% do faturamento, promessas de justiça… mas tudo ficou no papel, como um sermão que nunca chega ao altar. O documento circula desde abril, sem assinaturas, sem coragem, sem vergonha. Hotéis seguem afiando suas facas invisíveis para esfaquear turistas com tarifas que fariam até castelos da Disney parecerem pensão barata. A COP, ironicamente, já começa poluída — não pelo carbono, mas pela ganância.


Gasolina, crime e lavagem: o posto virou cofre

Em São Paulo, a Carbono Oculto revelou que até os postos de gasolina, que já nos assaltam no preço da bomba, estavam também no balcão do PCC. Mais de mil postos transformados em lavanderias modernas: em vez de sabão, gasolina; em vez de espuma, dinheiro sujo correndo nas torneiras da ilegalidade. O brasileiro, que já chorava ao encher o tanque, descobre agora que as lágrimas também abasteciam o crime.


Bombas e bombas: o eco da guerra

Enquanto isso, o mundo continuou a sua ópera de tragédias. Israel bombardeou Gaza: 18 mortos, vidas ceifadas como páginas rasgadas de um livro nunca lido. Na Ucrânia, 60 mil famílias mergulharam na escuridão porque os drones russos decidiram brincar de cortar fios. E no tribunal dos EUA, um juiz impediu a deportação de 10 crianças para a Guatemala. Pequena vitória no meio da carnificina global, como uma vela acesa em cemitério de tempestades.


Agosto, o cronista cruel

Agosto se despediu carregando nas costas essa mala pesada de notícias: chuvas, corridas, preços abusivos, gasolina suja, bombas e lágrimas. Foi embora rindo com ironia, como quem diz: “Vocês queriam um mês tranquilo? Pois engulam o caos até o último dia!”

E nós, pobres espectadores desse teatro sem ensaios, ficamos esperando setembro, como quem espera a aurora depois de uma noite em cárcere.


Final

Que setembro chegue como poema e não como ata policial. Que traga menos bombas e mais flores, menos postos do PCC e mais postos de saúde, menos hotéis gananciosos e mais pousadas de esperança. Porque viver é isso: tentar escrever poesia no meio do incêndio, rir de nervoso na fila do trânsito, e aplaudir, mesmo que de péssima vontade, o teatro absurdo chamado humanidade.