CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 30 de dezembro de 2024

As ultimas curvas do ano 2024

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 30 de dezembro de 2024
Publicado em 31/12/2024 às 16:22

As notícias do dia 30 de dezembro de 2024


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Quando o ano se despede, somos todos folhas secas carregadas pelo vento da história. 2024, com seus altos e baixos, foi um vendaval que arrancou certezas e semeou dúvidas. Lá se vai ele, com suas lições – umas dolorosas, outras esperançosas –, enquanto tentamos entender se estamos construindo castelos ou apenas brincando de montar areia.

No bairro Atalaia, um novo prédio nasce como um poema de concreto. Portillo Residence, eles o chamam, mas eu o vejo como mais uma torre de Babel moderna, onde sonhos de moradia se misturam com dívidas de financiamento. O Banese celebra os R$ 20 milhões como quem ergue uma taça de vitória, mas será que os futuros moradores brindarão ou chorarão ao fim do mês? O cimento do progresso é pesado, e, às vezes, o custo não é apenas financeiro, mas emocional.

Enquanto isso, em São Cristóvão, a violência dança o frevo macabro de sempre. Um grupo armado invade uma chácara, e um suspeito vira estatística. É a sina de um Brasil que troca tiros antes mesmo de trocar abraços no Ano Novo. Não há champanhe capaz de apagar as manchas de pólvora no chão de uma chácara.

E por falar em sonhos, os sergipanos apostam na Mega da Virada como quem joga uma moeda no poço dos desejos. Milhões aguardam pelo acaso que pode mudar vidas. Mas o que é a sorte senão a prima rebelde da esperança? No site das loterias, a fila de espera é de uma hora, mas o tempo que a maioria dos brasileiros espera por um futuro melhor não cabe em cronômetros.

Lá em Brasília, Lula deu as boas-vindas a Gabriel Galípolo como novo maestro do Banco Central. É como trocar o piloto do barco no meio da tempestade. O Planalto celebra, mas a economia segue como uma vela tremendo no vento global, especialmente quando hackers chineses fazem visitas indesejadas ao Tesouro dos EUA. O mundo digital se tornou o novo Velho Oeste, onde invasores não precisam de armas, mas de cliques.

E em Nova York, onde os sonhos geralmente têm sotaque americano, um tiroteio na véspera do Ano Novo deixa seis baleados. Entre eles, uma mãe e sua filha. O ano, que deveria terminar em fogos de artifício, insiste em explodir em balas perdidas. Talvez o mundo inteiro esteja em um ciclo vicioso, onde o barulho da guerra e da violência nunca cessa, mesmo quando o relógio anuncia novos começos.

Somos poeira no vento, tentando encontrar nosso lugar no mundo enquanto o tempo nos dispersa. Cada notícia, cada fato, é uma rajada que nos sacode, nos molda e, às vezes, nos desmancha. E enquanto 2024 se despede com sua ironia de tragédias e esperanças, cabe a nós, sobreviventes desse turbilhão, decidir o que faremos com o pó que restou.

Que 2025 seja mais do que poeira. Que seja plantação. Que seja futuro.