CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 29 de novembro de 2024

O dia 29 de novembro de 2024 desfilou exuberante entre estátuas que quase viram sucata, arte que insiste em florescer, economia que se equilibra na corda bamba e monstros marítimos que nos fazem sentir pequenos.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 29 de novembro de 2024
Publicado em 30/11/2024 às 8:34

As notícias do dia 29 de novembro de 2024


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era uma sexta-feira que mais parecia um mosaico de paradoxos e ironias. Enquanto o sol despontava preguiçoso sobre o Bairro Industrial em Aracaju, três homens decidiram que a estátua do construtor João Alves, fixada como um monumento de memória, poderia virar um souvenir clandestino. Talvez eles quisessem levar consigo um pedaço de história — ou de metal — para decorar o insólito da semana. A Secretaria de Segurança Pública garantiu que a estátua ficou onde estava, mas o que não se sabia era se o construtor, lá de seu além-tempo, não se remexia em gargalhadas de bronze diante da cena tragicômica.

Enquanto isso, na Alese, uma audiência tentava resolver os limites entre Aracaju e São Cristóvão. Dois vizinhos brigando pelo tapete da sala enquanto o chão de ambos está coberto de rachaduras invisíveis: falta de moradia digna, saneamento precário e transporte público que mais parece um carrinho de rolimã descendo ladeira. Ah, mas que importa o povo quando se pode debater linhas imaginárias?

Ainda em São Cristóvão, o Festival de Artes iniciava sua 39ª edição, tentando colorir um cenário que, por vezes, só conhece o cinza do esquecimento. O evento é uma espécie de cacto no deserto: floresce contra todas as adversidades, lembrando que a arte é resistência e que, mesmo em tempos de escassez, há beleza em persistir.

Do outro lado do Atlântico de burocracias, Lula afinava sua sinfonia no Banco Central, indicando três novos diretores. Talvez o BC seja agora uma orquestra com maestro definido, mas o público segue desconfiado: será que a melodia dessa economia desafinada vai agradar ou provocar apupos? Entre desbloqueios do Orçamento e déficits fiscal reduzidos, o governo parecia estar montando um quebra-cabeça em que faltam peças e sobram críticas.

No litoral de São Paulo, a natureza resolveu roubar a cena: uma água-viva gigante foi encontrada, com tentáculos maiores que a paciência de quem espera na fila do SUS. Um verdadeiro monstro marinho que, ironicamente, lembra que o verdadeiro terror para o homem moderno não está nas profundezas do oceano, mas na chuva que paralisa Congonhas. Foram 115 voos cancelados, e a logística virou uma espécie de peça de teatro do absurdo, em que passageiros eram personagens à deriva no saguão.

Do lado dos avanços, pesquisadores brasileiros deram um passo na criação de pele artificial 3D. Enquanto no Oriente Médio, a Síria fechava aeroportos e estradas diante de uma nova invasão de rebeldes, aqui fabricávamos esperança em laboratórios, mostrando que, mesmo em tempos de guerra e cancelamentos, a ciência não desiste de salvar o humano do caos que ele mesmo criou.

O dia 29 de novembro parecia um espelho torto, refletindo o melhor e o pior de nossa condição. Entre estátuas que quase viram sucata, arte que insiste em florescer, economia que se equilibra na corda bamba e monstros marítimos que nos fazem sentir pequenos, fica a reflexão: será que estamos prontos para lidar com o que construímos — ou destruímos — no palco da vida?

Japaratuba assiste a tudo, com seu ar de interior, como quem balança a cabeça e murmura: “Vejam só o mundo girando, enquanto a gente tenta não perder o eixo.”