CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de março de 2026
A crônica retrata um domingo marcado por dor e contradições, onde um bebê ferido simboliza a negligência no cuidado à vida. Homenageia o professor Wagner Almeida e critica privilégios no Judiciário que persistem mesmo sob o discurso de economia. Também denuncia a intolerância religiosa em Jerusalém, refletindo um mundo ferido, mas ainda sustentado pela resistência humana.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Olá, nobres leitores… sirvam-se de um café forte — daqueles que acordam até consciência adormecida — porque o domingo veio com gosto de ferro na boca e um nó na garganta.
O Brasil amanheceu como um hospital cansado de si mesmo… onde até os aparelhos, que deveriam vigiar a vida, resolveram brincar de queda livre. Em Aracaju, um monitor — desses que piscam como vaga-lumes tecnológicos — despencou sobre a cabeça de um bebê. E a cena parece metáfora de um país onde o cuidado tropeça na própria negligência. A vida, tão leve quanto um suspiro de oito meses, foi tratada como se fosse apenas mais um número no prontuário da indiferença. O choro da mãe ecoa como sirene moral: não foi só um equipamento que caiu… foi um pedaço da dignidade pública.
E enquanto isso, a morte, essa professora silenciosa que nunca falta à chamada, levou o professor Wagner Almeida… homem que ensinava a linguagem das mãos, mas que agora silencia no idioma eterno da saudade. Ironia cruel: quem ensinava a dar voz aos que não falam foi calado por uma pneumonia — essa velha inimiga que sopra como vento frio nas janelas descuidadas da saúde. A escola hoje é um quadro-negro com um giz partido… e a ausência dele escreve mais alto do que qualquer palavra.
Já em Brasília, o cofre público resolveu fazer dieta… mas com sobremesa escondida no bolso. O STF anuncia economia bilionária, corta excessos com uma mão… e com a outra oferece exceções que engordam os contracheques como quem diz: “menos é mais… desde que sobre para mim”. É a matemática tropical do privilégio: dividir para concentrar, cortar para manter. Transparência? Sim, mas com cortina de renda — deixa ver, mas não deixa entender.
E do outro lado do mundo, Jerusalém — que deveria ser altar — virou barricada. A fé, que sempre caminhou de sandálias humildes, foi barrada por botas de guerra. Pela primeira vez em séculos, líderes cristãos foram impedidos de celebrar o Domingo de Ramos no Santo Sepulcro. Ora, veja só… até Jesus, que entrou montado num jumentinho, agora precisaria apresentar documento, crachá e talvez até autorização celestial com firma reconhecida. A paz foi revistada, e a oração ficou retida na alfândega da violência.
O mundo, meus caros, parece um teatro onde a tragédia ensaia todos os dias e a esperança entra atrasada… quando entra. A humanidade anda tropeçando nos próprios pés, como um bêbado de poder e descuido.
Mas ainda assim… há quem resista. Há mães que gritam, professores que deixam legado, fiéis que insistem em acreditar… e leitores como vocês, que ainda param para sentir.
Porque no meio desse vendaval de absurdos, resistir é quase um ato poético.
E viver… ah, viver hoje em dia é um protesto em forma de respiração.




