CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de Agosto de 2025

O dia 29 de agosto de 2025 nas páginas da vida.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de Agosto de 2025
Publicado em 30/08/2025 às 16:14

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O Brasil acordou hoje com mapas e fronteiras dançando um forró de “quem é dono de quem”. Aracaju, essa capital que gosta de se achar metrópole, terá que devolver a São Cristóvão um pedaço de seu território, como quem devolve o pedaço de bolo que comeu sem pedir licença. A Justiça mandou e o STF carimbou: 11% voltam para a “Cidade Mãe de Sergipe”. É como se um filho ingrato tivesse que devolver a chave da casa que tomou emprestada em 1989. Ironia maior: só em 2026 é que o mapa vai ser atualizado. Até lá, o território fica igual briga de herança: todo mundo dizendo que é seu, mas ninguém sabe quem pode plantar o feijão.

Enquanto os limites de terra se embaralham, o limite da dignidade também foi desenhado em traços grossos. O STF bateu o martelo e manteve Robinho atrás das grades. O ex-jogador que um dia driblou defesas agora dribla grades de ferro, sem direito a recurso. O relator Luiz Fux disse que a defesa tentava rediscutir o que já estava escrito nas estrelas da vergonha. É a vida mostrando que nem toda bicicleta na área vira gol — às vezes vira sentença.

E no palco da economia, o governo federal inventa contabilidade criativa como quem cozinha feijão com caldo ralo para render mais. Na panela do Orçamento de 2026, jogaram uma promessa de R$ 145,8 bilhões vindos de dividendos, leilões e “receitas condicionadas”. É como apostar no jogo do bicho e já gastar o prêmio antes de sair o resultado. O superávit virou um santo graal: precisa de 0,25% do PIB, o que dá uns R$ 34 bilhões, quase o preço de um devaneio de campanha. É o país vivendo de “e se”, “talvez” e “quando o Congresso aprovar”. A economia brasileira parece um trapezista sem rede: a cada salto, o povo prende a respiração e espera que o espetáculo não termine em queda.

Lá fora, do outro lado do hemisfério, os Estados Unidos assistem a mais um capítulo do reality show de Trump. A Justiça americana decidiu que a maioria das tarifas impostas por ele não é legal. Mas, num passe de mágica burocrática, elas continuam valendo até outubro. É como se o juiz dissesse: “Esse remédio está vencido, mas pode continuar tomando até acabar a cartela”. Trump sorri, a Suprema Corte espera, e o mundo segue pagando a conta.


No fim do dia, percebo que as notícias são como um mosaico de paradoxos. Cidades brigam por pedaços de chão enquanto milhões de brasileiros não têm nem onde deitar a cabeça. Ex-craques que já foram ídolos se transformam em símbolos de decadência. Governos projetam bilhões de reais que ainda nem existem, como quem promete um banquete com um frango que ainda nem nasceu. E potências mundiais discutem tarifas como crianças brigando por brinquedos no quintal.

O mapa muda, as fronteiras mudam, as tarifas mudam, mas a realidade do povo parece congelada no tempo: uma eterna espera por justiça, dignidade e pão na mesa.

E cá estou eu, Professor Glauber, olhando o noticiário como quem olha um espelho rachado: cada pedaço reflete um Brasil diferente, mas nenhum mostra o rosto inteiro.

Talvez, no fundo, a única fronteira que precisa ser redesenhada é a que separa o Brasil possível do Brasil real.

E essa, meu amigo, não depende do STF, mas de nós.