CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de julho de 2025
Publicado em 29/07/2025 às 1:41


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


A segunda-feira amanheceu com cheiro de carimbo e gosto de nota molhada. No teatro do mundo, o dia 28 de julho subiu ao palco com um roteiro que mesclava comédia pastelão, tragédia shakespeariana e farsa parlamentar. O Brasil, esse personagem complexo que vive entre o otimismo do samba e a ressaca do feijão caro, mais uma vez se vestiu de ironia para dançar na corda bamba da realidade.

No bairro Santa Maria, em Aracaju, um homem resolveu brincar de “banco paralelo”. Recebeu pelos Correios um presente do submundo: mil reais em cédulas falsas, embrulhados como se fossem lembrança de casamento do crime organizado. Era o “pix do papel”, o TED do estelionato, a herança falsa do Tio Patinhas. Só esqueceu que, no Brasil, até o carteiro desconfia quando a encomenda pesa demais. A Polícia Federal bateu à porta antes mesmo do café esfriar. E lá foi ele: preso, fichado, e com destino carimbado para o hotel sem estrelas do sistema prisional. Quem diria? O golpe nem chegou a cair — tropeçou no degrau da entrega.

Enquanto isso, em Itaporanga D’Ajuda, três adolescentes descobriram que o mar tem vontades próprias. Entraram no azul com o romantismo de quem acha que aventura é igual a foto de rede social. Mas o mar — esse poeta imprevisível, que ora beija a areia, ora cospe barcos — decidiu engolir a embarcação e cuspir o susto. Foram salvos por anjos de hélice, com nome de filme de ação: Grupamento Tático Aéreo. Saíram ilesos, com o coração batucando e a lição molhada: o mar não é brinquedo, é poesia líquida que não rima com descuido.

Já em Nova York, a tragédia vestiu terno e gravata. Na Park Avenue, onde o luxo caminha em saltos altos e os sonhos têm cobertura duplex, a morte invadiu o prédio sem pedir licença. Um atirador — cujo nome pouco importa diante da dor — levou quatro vidas para o silêncio eterno, e depois silenciou a própria. A cidade que nunca dorme, naquela noite, chorou acordada. Era o caos apertando a campainha da civilização e dizendo: “Lembre-se de que a loucura não tem CEP.”

E enquanto o mundo girava cambaleante entre o absurdo e o amargo, no Planalto Central, Lula sacava sua caneta para tentar desatar o nó da economia brasileira. Em meio aos tarifaços de Trump — esse cowboy diplomático que atira tarifas como quem cospe tabaco —, o presidente brasileiro sancionava uma lei para aliviar as exportações das pequenas empresas. Uma tentativa de devolver, com papel timbrado, o que a burocracia tirou com garras invisíveis. Era como se dissesse: “Vai, Brasil, exporta teus sonhos… antes que eles apodreçam nos galpões da Receita.”

O dia 28 foi, enfim, um retrato em tinta guache do que somos: um país onde o crime chega pelo Sedex, o mar ensina mais que o currículo escolar, os EUA continuam armando tragédias de luxo e o Brasil tenta — entre tropeços e decretos — fazer brotar futuro no solo seco das promessas.

É tudo tão confuso que a gente ri para não chorar. Ou chora de tanto rir. Porque no fundo, no fundo mesmo, seguimos sendo essa embarcação encalhada entre o ontem que não passou e o amanhã que nunca chega. Mas, ainda assim, resistimos. Nadamos contra as marés de injustiça, voamos nas asas da esperança e — mesmo com cédulas falsas e notícias trágicas — continuamos a apostar na autenticidade dos nossos sonhos.

E se o mundo insiste em parecer um teatro de absurdos, sejamos então os poetas da plateia: com olhos que veem além do enredo, com palavras que desafiam o script, e com corações que, apesar de tudo, continuam batendo — reais, autênticos e cheios de verdade.