CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 28 de dezembro de 2024
O giro de notícias de ciclos que terminam e recomeçam, solidariedade que aquece, desafios que nos testam e a eterna dança entre o caos e a esperança.
As notícias do último sábado de 2024
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O fim de um ciclo sempre traz a melancolia de um adeus misturada à euforia do que está por vir. Na Escola Municipal Professor Emiliano Nunes de Moura em Japaratuba cidade do interior de Sergipe, os jovens do 9º Ano, com os olhos brilhando como estrelas em uma noite de verão, despediram-se da etapa que os moldou, prontos para enfrentar os ventos do Ensino Médio. Que sejam ventos de descobertas, realizações e, claro, um pouco de rebeldia controlada – afinal, ninguém amadurece sem questionar.
Enquanto uns planejam o futuro, outros salvam vidas no presente. O Banco de Leite, com sua missão silenciosa de nutrir pequenos milagres, lembra-nos que a solidariedade é o alimento mais puro que podemos oferecer. Doar leite é doar esperança; é estender as mãos para aqueles que ainda nem aprenderam a segurá-las.
E por falar em esperança, a Pastoral do Povo de Rua transformou a dureza das calçadas em momentos de fraternidade. Num mundo onde o cimento parece mais acolhedor que muitos corações, iniciativas como essas nos fazem acreditar que ainda há calor humano no gelo do cotidiano.
Enquanto isso, o último sábado do ano foi um retrato da correria que tanto nos caracteriza. Entre sacolas cheias de sonhos e filas abarrotadas de expectativas, o Réveillon se aproxima como uma promessa de que o próximo ano será melhor – mesmo que ainda não saibamos como.
Porém, nem tudo foi celebração. Em Aracaju, os bombeiros batalharam contra as chamas, domando o caos que consumia uma empresa de cilindros. São heróis sem capa, mas com coragem suficiente para enfrentar o fogo e proteger o que resta.
E, no cenário político, o presidente Lula sancionou novas regras para o Benefício de Prestação Continuada (BPC). As mudanças chegam como uma faca de dois gumes: se por um lado reforçam a segurança do sistema, por outro, impõem burocracias que podem ser pedras no caminho de quem mais precisa. Que a balança penda, sempre, para o lado da justiça social.
Na região Sudeste, a natureza decidiu cobrar o aluguel atrasado das terras ocupadas pelos homens. Em Taubaté, três vidas foram levadas pelo deslizamento de terra, como se fossem folhas secas arrastadas por uma enxurrada. O solo, cansado de sustentar o peso da ganância e da falta de planejamento, cedeu, lembrando-nos que ele também tem seus limites.
Enquanto isso, na Coreia do Sul, o céu, que tantas vezes acolhe voos de esperança e progresso, virou palco de uma tragédia. Um avião explodiu, e 179 almas deixaram este mundo. Apenas duas pessoas escaparam do abraço mortal das chamas, como se a vida quisesse provar que, mesmo na escuridão, ainda resta uma centelha de milagre.
E por falar em resistência, Geraldo Quintão, ex-ministro e ex-AGU, despediu-se aos 89 anos. O homem que enfrentou os tribunais e os corredores do poder foi vencido pela única força que não pode ser contestada: o tempo. Sua partida é um lembrete de que, no tribunal da vida, todos somos réus de nossa própria finitude.
Alexandre de Moraes reafirmou que a lei não é uma brincadeira de criança desobediente. Daniel Silveira, mais uma vez, viu-se preso na teia de suas próprias escolhas. É curioso como alguns acreditam que as regras são opcionais, como se fossem o menu de um restaurante.
Do outro lado do mundo, Benjamin Netanyahu enfrentava sua própria batalha interna. Uma cirurgia para retirar a próstata, uma luta silenciosa que não conhece ideologias, fronteiras ou cargos. Ali, sob a luz fria de um centro cirúrgico, somos todos iguais: frágeis corpos em busca de reparos.
Assim, encerramos o último sábado do ano, onde as notícias costuram um retrato fiel da nossa realidade: ciclos que terminam e recomeçam, solidariedade que aquece, desafios que nos testam e a eterna dança entre o caos e a esperança. Que venha o novo ano – porque, apesar de tudo, seguimos acreditando.




