CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de Agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de Agosto de 2025
Publicado em 29/08/2025 às 4:06

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia amanheceu como um palco em chamas, e não falo só do sol teimoso que acordou Sergipe, mas de um ônibus na Barra dos Coqueiros que resolveu brincar de dragão, cuspindo fogo e fumaça diante de estudantes que, por milagre ou providência, escaparam ilesos. Imagino o desespero: mochilas se transformando em asas improvisadas, e cada passo dos jovens sendo um poema desesperado de sobrevivência. O Brasil, esse país que insiste em ensaiar tragédias diárias, hoje aplaudiu de pé a vida, que venceu o fogo.

Enquanto isso, na sala climatizada da política, o governador Mitidieri decidiu colocar mordaça nos trovões artificiais: sancionou a lei que proíbe fogos com estampido. Ironia fina: em Sergipe, o barulho das balas perdidas continua ecoando, mas os rojões que assustam cachorros e idosos agora terão multa. Uma troca curiosa de prioridades — o céu ganha silêncio, mas as ruas ainda choram. O Fundo de Defesa do Meio Ambiente vai receber a verba das multas; quem sabe um dia também inventem um fundo de defesa da paciência popular, que já anda estourando mais do que fogos de artifício.

Do outro lado da muralha da democracia, a PF investiga o vazamento de dados de uma megaoperação contra o PCC. Eis a cena: um Estado que deveria ser águia, voando alto com garras afiadas, descobre-se pombo, com bilhetes secretos voando pelas praças antes da hora. Dos 14 mandados de prisão, apenas 6 cumpridos — como se a Justiça fosse um teatro mal ensaiado, onde os bandidos conhecem de cor o roteiro. O crime, mais uma vez, gargalha da polícia.

E na Polônia, um espetáculo aéreo se transformou em tragédia: um caça F-16 despencou como Ícaro moderno, derretido pelo sol da imprudência. O piloto morreu, e o show foi cancelado. Talvez seja a metáfora mais cruel da nossa era: máquinas de guerra, feitas para matar, caem do céu em nome do “entretenimento”. A plateia, que esperava aplausos, recebeu silêncio e lágrimas. A guerra, mesmo fantasiada de circo, continua sendo guerra.

Enquanto isso, em outro canto do tabuleiro geopolítico, Putin e Kim Jong-un se dão as mãos e, como dois meninos travessos expulsos da sala de aula ocidental, correm para o recreio na China de Xi Jinping. Um desfile militar os espera, quase sem plateia ocidental — mas para eles, a ausência é triunfo: quanto mais sozinhos parecem, mais unidos se tornam na tentativa de reescrever a ordem do mundo. Imagino os tanques desfilando como elefantes em marcha, cada míssil como trombeta desafinada anunciando que o futuro pode ser ainda mais barulhento que o passado.


Hoje, 28 de agosto de 2025, foi um dia de incêndios que não queimaram apenas ônibus, mas também nossas certezas frágeis; de leis que silenciam fogos, mas não calam o barulho da desigualdade; de investigações que tropeçam, aviões que caem e ditadores que dançam ao som da guerra.

E eu, cronista de Japaratuba, olho para tudo isso e me pergunto: quando é que vamos deixar de viver num ensaio malfeito de tragédia e começar a escrever, enfim, uma comédia humana onde a vida — só a vida — seja aplaudida de pé?