CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de abril de 2025
"Educar é regar desertos, mas há quem prefira deixar os cactos morrerem."
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No Dia Internacional da Educação, 28 de abril de 2025, o Brasil acordou com ares de quem esqueceu o próprio bolo no forno. O cheiro de descaso se espalhou pelas ruas e corredores, e lá estávamos nós, de lápis na mão e esperança na mochila furada.
Na Maternidade Lourdes Nogueira, a vida, que deveria chegar sob aplausos de anjos e tambores, agora corre o risco de nascer em silêncio, parida pela negligência. Debateram no Ministério Público, sim, mas debater na beira do precipício é como discutir sobre qual tapete usar enquanto a casa está pegando fogo. IGH vai assumir a gestão… tomara que não assuma também os erros que já se tornaram tradição — como velhas marcas de um álbum de fotografias rasgadas.
E se falta assistência para nascer, falta também água para viver. A Deso, ah, a Deso! Essa fada madrinha que esqueceu sua varinha mágica, agora foi obrigada pela Justiça a levar água em carros-pipas à Zona Sul de Aracaju. Cem mil reais de danos morais… Um troco na feira da consciência. Multa boa seria obrigar executivo a passar um mês carregando baldes de água nas costas, sentindo o peso da sede que eles derramam nos outros.
Enquanto isso, lá no STF, o ex-presidente Collor continua a sua saga: preso! Se antes caçava marajás, agora caça habeas corpus. Moraes, com sua caneta mágica e seu manto de sigilo, decidiu manter o castelo trancado. Ironia fina: o cavaleiro que jurava combater a corrupção virou figurante de sua própria farsa.
Do outro lado do Atlântico, a Península Ibérica apagou a luz. Espanha e Portugal, reinos outrora iluminados pela expansão marítima, tropeçaram no fio invisível da modernidade. Cancelaram voos, paralisaram metrôs, adiaram cirurgias. O breu mostrou que nem sempre o homem é senhor da eletricidade — às vezes, é só um vagalume aflito diante da tempestade.
E no Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa tenta equilibrar seus santos e seus pecados, recebendo os sherpas do Brics. Esses diplomatas, que parecem mais costureiros de alta costura política, tentam remendar o vestido esgarçado da ONU e bordar alguma paz sobre os campos ensanguentados de Gaza e Ucrânia. Pedem reforma, clamam por inclusão… Mas, cá entre nós, se a ONU fosse uma casa velha, já teria desabado sob os tijolos da hipocrisia.
E assim seguimos: com maternidades que parecem hospitais de guerra, água que vira miragem, justiça que é espada e vendaval, luz que some como mágica e diplomacia que tenta, com linhas frágeis, tecer esperança no pano rasgado do mundo.
No dia em que a educação deveria ser coroada com flores, foi coroada com espinhos.
No dia em que deveríamos brindar à sabedoria, tomamos goles amargos de realidade.
Que venham os diplomatas, que venham as reformas, que venha a água, que venha a luz — mas, principalmente, que venha a consciência, essa rebelde esquecida nos discursos de palanque e nos planos de governo.
Porque educar é, acima de tudo, plantar flores no concreto rachado — e resistir enquanto todos ao redor preferem vender cimento.




