CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de outubro de 2025
O adeus de Aída As noticias do dia 27 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia amanheceu com o coração vestido de luto e o céu bordado de saudade.
Aracaju chorou a partida de Aída Mascarenhas Campos, uma advogada que foi mais que letras e leis — foi voz, verbo e ventania nos corredores da Justiça.
Partiu aos 64 anos, vencida pelas sequelas da Covid-19.
Aída não era apenas uma mulher de toga, mas de alma em chamas, que lutou pelos direitos humanos como quem rega um jardim de esperança em solo árido.
Atuou como advogada por mais de 30 anos, foi conselheira da OAB/SE por diversos mandatos, secretária-geral, vice-presidente, presidente da Comissão de Direitos Humanos e membra da Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB.
Hoje, seu corpo descansa na Colina da Saudade, mas sua coragem ecoa como sinos na consciência de quem ainda acredita que justiça não é luxo, é necessidade.
O tempo, esse juiz impiedoso, decretou o silêncio.
Mas há silêncios que falam mais do que discursos.
Aída foi dessas vozes que não morrem — apenas mudam de tribunal.
Muita luz para Aída, que Deus a receba de braços abertos!
Meus sentimentos para seus familiares e amigos(as)!
Enquanto a cidade velava uma guerreira, os ambulantes do centro de Aracaju tentavam escrever um novo capítulo da própria sobrevivência.
A Emsurb inaugurou a tal Feira Livre do Centro, com bancas padronizadas e sorrisos oficiais: 160 bancas reluzindo sob o sol do meio-dia, tentando dar aparência de ordem ao caos do improviso.
Mas bastou o primeiro cacho de banana ser mal posicionado para o enredo descambar em briga, tumulto e spray de pimenta.
Eis a ironia poética do dia: o povo que planta e vende fruta provando o gosto amargo da pimenta urbana.
A feira, que nasceu para ser “livre”, já começou sendo palco de contenção.
É o retrato do Brasil: o trabalhador lutando por um pedaço de chão, enquanto a burocracia distribui tapinhas nas costas e bancas numeradas.
Lá longe, na Malásia, as delegações do Brasil e dos Estados Unidos fizeram a primeira reunião após o encontro de Trump com Lula.
O objetivo: derrubar as tarifas extras.
Na mesa, papéis e promessas; nas entrelinhas, o velho jogo de poder.
E, num lampejo quase humorístico, a Câmara dos Deputados resolveu aliviar a barra dos taxistas, aprovando a MP que isenta a categoria da taxa de fiscalização do taxímetro por cinco anos.
Um respiro no meio do engarrafamento político.
O Brasil, país onde o taxímetro corre mais rápido que o salário, resolveu dar um desconto simbólico — talvez por medo de levar mais buzinas nas urnas.
Mas o detalhe saborosamente sarcástico é que o mesmo texto também legaliza a formação à distância.
Sim, senhoras e senhores: a MP do taxímetro é também a MP do EAD.
De Brasília a Kuala Lumpur, a ironia continua sendo o idioma universal da política.
E, do outro lado do mundo, o relógio da democracia parece ter quebrado:
Paul Biya, o eterno presidente de Camarões, foi reeleito pela oitava vez — aos 92 anos.
O homem é quase uma múmia com crachá e urna própria.
Desde 1982 no poder, ele deve ter esquecido onde acaba o cargo e começa o país.
53% dos votos — e 100% da teimosia.
A oposição contesta, o povo protesta, mas o velho Biya permanece firme, como um monumento da própria longevidade política.
Talvez o segredo dele seja simples: envelhecer é fácil, o difícil é deixar o poder — essa fonte da juventude de quem bebe do cálice da vaidade.
Entre lutos, feiras e ironias internacionais, o Brasil encerrou o dia com seu velho enredo de contrastes:
uma mulher que dedicou a vida à justiça partiu em silêncio;
trabalhadores lutaram por espaço sob o sol;
presidentes trocaram sorrisos diplomáticos;
políticos mediram quilometragem de votos;
e um nonagenário africano provou que o poder é o último vício a morrer.
O mundo gira, tropeça, ri e chora — e o povo brasileiro segue, entre pimentas e promessas, buscando a feira livre da esperança.
“Que o dia 27 de outubro fique na memória não só pelas notícias,
mas pelas lições invisíveis que elas sussurram:
a vida é curta, a justiça é longa, e o riso é o último remédio contra o absurdo.”




