CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de novembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
O dia amanheceu hoje com um cheiro de petróleo no ar — não aquele da velha lamparina da casa da avó, mas um perfume arrogante, de quem se acha dono do mar. A Petrobras, toda empolerada em sua roupa nova, anunciou que o Projeto Sergipe Águas Profundas vai mergulhar ainda mais fundo. É como se dissesse: “Segurem meus aros, que agora eu vou!” Dois navios-plataforma, os tais FPSOs, vêm aí, flutuando feito gigantes de aço que tiveram aulas particulares de balé com Netuno.
Lá no fundo da Bacia Sergipe-Alagoas, o petróleo deve estar rindo, aquele riso grosso de quem sabe que vale mais que ouro. Já nós, mortais da superfície, ficamos torcendo para que, pelo menos dessa vez, a riqueza não se esconda nos bolsos de sempre.
E por falar em bolsos… teve operação hoje. Daquelas com nome de desenho animado, mas com roteiro de filme policial. O Gaeco acordou mais cedo que galo de roça e saiu varrendo Sergipe atrás de fraude tributária e lavagem de dinheiro. Dezesseis mandados: parece até promoção de Black Friday do crime organizado — “leve seu mandado e ganhe uma visita surpresa do GSI!”. Documentos, celulares, pendrives… tudo recolhido. O crime, coitado, quando viu a RP chegando, deve ter tentado se esconder até dentro do próprio CPF.
Enquanto isso, no mundo dos direitos trabalhistas, o ministro do Trabalho resolveu abrir a bolsa da esperança e propor liberar o FGTS para 13 milhões de demitidos que entraram no tal saque-aniversário. O governo vira e mexe brinca de presente surpresa: “Parabéns pelo desemprego, aqui está seu próprio dinheiro!” É uma mistura de alívio e ironia cruel — como ganhar um bolo bonito só que com recheio de vento.
E, fechando a cortina do espetáculo, lá no outro lado do planeta o clima esquentou mais que panela de pressão esquecida no fogo. A Rússia resolveu defender a China como quem protege amigo briguento em festa de família e ameaçou responder “duramente” caso o Japão coloque mísseis perto de Taiwan. A diplomacia anda parecendo novela: capítulos longos, diálogos tensos, e Donald Trump fazendo participação especial só para aumentar a audiência.
Assim segue o mundo — o mar profundo de Sergipe sonhando com riqueza, as ruas de Aracaju ecoando sirenes, o trabalhador contando moedas e os países jogando xadrez com mísseis. Nós, aqui de Japaratuba, seguimos tentando navegar nesse oceano de absurdos com humor, poesia e a velha teimosia de acreditar que ainda dá para dar um olá sem medo do que vem na manchete.




