CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 27 de novembro de 2024
Notícias entre licitações duvidosas, cortes que sangram o social, leis de conveniência, jogos de poder e guerras sem sentido no palco da humanidade .
As notícias do dia 27 de novembro de 2024
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Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma quarta-feira de céu nebuloso e de muito calor, como se até o clima estivesse cansado das reviravoltas do cotidiano. O noticiário trazia um coquetel de absurdos, com pitadas de esperança e ironias que dariam inveja a qualquer roteirista de comédia trágica.
Na Grande Aracaju, a novela do transporte público ganhou um novo capítulo. A Justiça decidiu que a licitação segue em frente. Um alívio para quem já não suporta mais ônibus que parecem verdadeiras saunas móveis. Contudo, a sensação é que o povo continua no banco do fundo, onde o ar-condicionado nunca chega, e o motorista, como sempre, é a política, trocando de marcha ao sabor de interesses obscuros.
Enquanto isso, em Brasília, o Ministro Fernando Haddad subiu ao palco econômico com um número de mágica: fazer R$ 70 bilhões sumirem das despesas públicas. Entre cortes e apertos, o Brasil, que já anda como um equilibrista na corda bamba fiscal, espera não tropeçar na velha pedra do desinvestimento. A economia agradece, mas o trabalhador, sempre ele, sente o chão arder sob seus pés descalços.
A Câmara, em um lampejo de pseudo-ambientalismo, aprovou a urgência para a reciprocidade ambiental entre países. Um nome bonito para um texto que impede o Brasil de aceitar condições que limitem a exportação de nossos produtos. Traduzindo: não mexam no nosso agronegócio, mesmo que a Amazônia esteja derretendo sob o calor das motosserras. É o “meio ambiente da conveniência”: preserva-se o que não atrapalha o lucro.
Já o Congresso, que funciona como um bazar turco, aguarda Flávio Dino abrir a carteira das emendas para destravar o Orçamento. Parece que o jogo político virou um grande mercado de trocas, onde não se decide nada sem um “agrado”. O Brasil, que deveria ser a casa do povo, tornou-se o balcão de negócios dos parlamentares.
E na Venezuela, um cenário que beira o surrealismo. Policiais cercam a embaixada argentina como se ela fosse um cofre de ouro. Ali, seis colaboradores de uma líder opositora aguardam, sob a proteção brasileira, enquanto o mundo assiste a mais um episódio da novela sem fim do autoritarismo latino-americano. No fundo, a diplomacia é como aquele amigo que tenta apartar uma briga no bar: acaba levando uns tapas dos dois lados.
Do outro lado do globo, os EUA pressionam a Ucrânia a recrutar jovens de 18 anos para a guerra. Mais um capítulo da saga humana em transformar a juventude em carne de canhão. Na corrida para preencher trincheiras, a vida vira um número, e os sonhos de quem deveria estar descobrindo o mundo são enterrados sob o peso de um fuzil.
E por falar em sorte, a Mega-Sena promete R$ 60 milhões nesta quinta-feira. Ironia das ironias: num país onde o planejamento público é um tiro no escuro, a única coisa que parece garantir algum sonho é uma aposta na loteria. A esperança é, literalmente, uma moeda jogada ao acaso.
Entre licitações duvidosas, cortes que sangram o social, leis de conveniência, jogos de poder e guerras sem sentido, a quarta-feira foi um lembrete de que, no palco da humanidade, a peça segue sendo um drama com requintes de comédia. E nós, meros espectadores, torcemos por um final que, quem sabe, tenha menos tragédia e mais justiça.
Por aqui, seguimos: a caneta na mão, o olhar crítico e o coração resistente, enquanto o mundo insiste em ser um roteiro caótico de ironias e contradições.




