CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 26 de novembro de 2024
Uma terça-feira de festa e inauguração em Pirambu e caos no mundo.
As Manchetes do dia 26 de novembro de 2024
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Em Pirambu aconteceu a inauguração da reforma da Escola Municipal Mário Trindade Cruz no dia do aniversário de emancipação política da cidade . Um dia de celebração.
Parabéns, Pirambu! Sessenta e um anos de história, uma jovem cidade à beira do mar que, como uma onda teimosa, esculpe sua identidade contra as pedras do tempo. Cada casa, cada rua e cada pescador são versos desse poema contínuo chamado Pirambu. Mas enquanto a brisa litorânea sopra celebrações, os ventos do restante do mundo nos trazem notícias que são tempestades de ironias e reflexões.
Aracaju, capital sergipana, iniciou o período de matrículas escolares, e não deixa de ser poético que, em tempos de evasões e faltas, a palavra “permanecer” ganhe um protagonismo. Quem dera nossos políticos permanescessem fiéis às suas promessas como esses alunos tentam permanecer em suas escolas. Mas, no teatro da vida pública, os papéis de compromisso costumam ser mais descartáveis que os boletins trimestrais.
Falando em compromissos não cumpridos, começou o julgamento dos ex-policiais envolvidos na morte de Genivaldo. Um caso que mancha como óleo derramado a história da PRF. Trancar uma vida em um porta-malas com gás lacrimogêneo é um ato que nos sufoca coletivamente. Que justiça venha, porque Genivaldo não é apenas uma vítima; é um grito ecoando nas BRs do Brasil.
Enquanto isso, na política, Bolsonaro foi identificado como o “arquiteto” de ações golpistas. Um plano que, se fosse uma obra de engenharia, desabaria no primeiro tijolo. Resta-nos esperar que as autoridades apliquem o cimento da verdade para tapar as rachaduras da democracia. A ironia? Ele, que dizia lutar contra a corrupção, agora pinta seu nome no mural dos escândalos históricos do país.
Já na economia da mesa brasileira, o IPCA-15 revela o aumento dos preços. O tomate virou artigo de luxo, o óleo de soja parece querer ser petróleo, e as carnes… ah, as carnes, essas já são lendas nas refeições de muitos brasileiros. Comer bem hoje em dia virou uma utopia gastronômica, um banquete apenas imaginado.
Falemos de rodovias. A primeira estrada com pedágio sem cancela enfrenta evasão de 8%. Parece que a ausência da cancela abriu as portas para a velha malandragem. A tecnologia avança, mas nossos hábitos retrógrados insistem em ficar. Um aviso ao motorista espertinho: fugir do pedágio só evita a cancela, não o peso da multa.
No cenário global, um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah traz esperança ao Oriente Médio. É curioso como os acordos de paz, tão necessários, ainda soam como milagres. Que as armas silenciadas possam dar lugar ao diálogo. Afinal, o único barulho aceitável deveria ser o das crianças brincando e não das bombas explodindo.
Enquanto isso, na Inglaterra, o homem mais velho do mundo, John Tinniswood, partiu aos 112 anos. Ele, que nasceu no mesmo ano em que o Titanic afundou, navegou por um século de transformações e turbulências. Sua partida é um lembrete de que, como um navio, todos nós enfrentamos mares revoltos até nosso último porto.
Por fim, em Bangladesh, o confronto violento entre grupos universitários nos mostra que, mesmo no seio do conhecimento, a irracionalidade pode florescer. A universidade deveria ser o berço de ideias e não o palco de batalhas. Afinal, de que adianta aprender o mundo, se desaprendemos a conviver?
E assim, encerramos esta crônica com um misto de indignação, esperança e reflexão. Que Pirambu continue a crescer, que a justiça floresça, que os preços baixem, que as armas silenciem, e que, acima de tudo, possamos aprender a navegar em mares mais calmos, com ventos de paz e humanidade soprando nossas velas.




