CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 26 de maio de 2025

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 26 de maio de 2025
Publicado em 26/05/2025 às 23:57

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


O dia amanheceu com cara de segunda-feira vestida de ironia, carregando nas costas um saco de notícias que mais parecia uma colcha de retalhos costurada por mãos nervosas, linha torta e agulha de sarcasmo.

Logo cedo, soube-se que uma mulher foi flagrada praticando um tipo de esporte muito comum nas festas modernas: o furto olímpico de celulares. Nove aparelhos, senhoras e senhores! Nove! Isso não é uma ladra qualquer, é praticamente uma operadora clandestina, uma central ambulante de telefonia móvel. Se duvidar, até Wi-Fi ela distribuía no meio da festa, com senha e tudo: “RoubeiMasTôNaÁrea123”.

Enquanto isso, Sergipe, meu caro estado pequenino de coração grande, virou buffet liberado para o Aedes aegypti. Seis municípios estão servindo de parque aquático para o mosquito. Frei Paulo, Simão Dias, Nossa Senhora da Glória… O Aedes sorri, abre uma espreguiçadeira, toma água de coco e agradece pela hospedagem de luxo: água parada, calor e descuido. Enquanto a gente procura repelente, ele aplica fator 1000 de insolência e segue picando gerações inteiras.

E se tem quem roube celular nas festas, também tem quem dê um jeitinho nos leilões. A Polícia Civil descobriu que uma empresa credenciada ao Detran fazia leilão, mas com aquela velha máxima: “Ganha quem já ganhou”. A gerente da empresa, veja só, estava desfilando por aí com um carro fraudado. Ou seja, a pessoa era tão eficiente que leiloava, arrematava, emplacava e dirigia. Brasil: onde até golpe tem CNPJ.

No Congresso, assistimos mais uma daquelas mágicas legislativas. O projeto de regulação das redes sociais trocou de roupa: saiu da fantasia de “caçador de fake news” e vestiu o avental de “protetor das crianças”. Estratégia política ou cuidado genuíno? Não sabemos. Mas a pauta agora é proteger os pequenos dos grandes perigos virtuais. E eu, que cresci fugindo era de assombração na rua, vejo que hoje a assombração mora no Wi-Fi.

E, enquanto o mundo corre com seus escândalos e seus mosquitos, o silêncio tomou conta da Arquidiocese de Aracaju. Partiu, aos 98 anos, o Monsenhor José Carvalho. Um homem que foi mais do que padre: foi timoneiro de gerações, arquiteto de futuros, plantador de esperança. Fundou escolas, educou, evangelizou. Hoje, o sino do Colégio Arquidiocesano não bate apenas horas, bate saudade.

Lá no Congresso, a pressa não era só por leis de internet. A Câmara, com uma agilidade que não tem para outras emergências, correu para criar um fundo emergencial para os produtores afetados pela gripe aviária. Sim, senhor, quando o assunto é proteger o frango, o país vira um foguete legislativo. Quem dera fosse assim pra saúde, educação, segurança… Mas, como dizia minha avó, “quem não tem galinha, caça com pato”.

Cruzando fronteiras, chega a notícia que a Argentina decidiu dançar um tango desafinado com a saúde global: oficializou sua saída da Organização Mundial da Saúde e ainda quer rever protocolos de vacinas. É, meus amigos… Tem gente que prefere viver de empanada e fé, achando que vírus some com oração e chimarrão.

E como se não bastasse, o Equador amanheceu com a fumaça de um incêndio na sua principal refinaria. O fogo, esse piromaníaco das tragédias econômicas, resolveu brincar de barbecue com os barris de petróleo. Resultado? Um país acende vela não pra santo, mas pra não faltar energia.

No campo onde o Brasil se acha potência – o futebol – chegou o dia do professor Ancelotti, agora de verde e amarelo. Apresentou-se e soltou sua primeira convocação, como quem diz: “Agora a caneta é minha”. A esperança veste chuteira, o sonho calça meião e, quem sabe, dessa vez o hexa não se esconde na gaveta.

E assim, entre celulares furtados, mosquitos folgados, fraudes motorizadas, santos que descansam, frangos gripados, argentinos destemidos, petróleo em chamas e convocação da esperança… a vida segue.

Segue com suas ironias, seus absurdos poéticos e sua eterna capacidade de nos lembrar que, no Brasil, o real e o surreal moram na mesma casa, dividem o mesmo Wi-Fi (com ou sem senha), e brindam, todos os dias, com uma boa dose de “Só por Deus!”.

Por Antônio Glauber Santana Ferreira – direto de Japaratuba, onde até o mosquito corre risco de ser picado pela realidade.