CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 25 de julho de 2025

25 DE JULHO EM NOTÍCIAS

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 25 de julho de 2025
Publicado em 26/07/2025 às 22:31


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era uma vez uma sexta-feira embalada no tamborim do absurdo, tocada por anjos sem fé e demônios de gravata. O relógio marcava 25 de julho de 2025 e, enquanto o mundo girava meio tonto, o Brasil dançava no compasso desafinado do realismo mágico – onde a Previdência remenda buracos com mutirão, um senador brinca de esconde-esconde internacional, e Trump volta ao palco político como quem ressurge de um pesadelo sem botão de soneca.

Em Aracaju, o INSS resolveu tirar a fantasia de tartaruga sonolenta e vestiu o macacão de mutirão. Das 7h às 16h, a Previdência Social abriu as portas com a cara de quem quer ser útil – ou pelo menos fingir que tenta. Era perícia pra cá, avaliação pra lá, um carrossel de papéis, carimbos e suspiros. Velhinhos com radiografias na sacola e esperança no bolso voltavam a sorrir… ou pelo menos a fazer careta de quem ainda acredita. Parecia até milagre de fila: se andasse mais rápido, virava procissão.

Mas nem só de fila vive o Brasil. Do outro lado do teatro, sob os refletores do Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes, conhecido como o Dom Quixote togado, empunhou sua espada de decisões e cortou o crédito do senador Marcos do Val. Cartões bloqueados, contas trancadas – o moço agora só compra fiado na padaria do destino. É que o nobre senador, em vez de respeitar as medidas cautelares, pegou a mala e foi fazer turismo fora do script. Fugiu do Brasil como quem escapa de prova de matemática, esquecendo que, neste jogo, o juiz também é o dono da bola.

E como se a novela tupiniquim já não fosse suficiente, do lado de lá da cerca, os Estados Unidos assistem ao remake do filme “A Volta dos Que Não Foram: Trump Reloaded”. A repressão ganhou bigode e botas, e os imigrantes mexicanos viraram figurantes de um roteiro cruel. Mas eis que o México, esse país de alma ardente e coração florido, decide jogar com cartas mágicas: criou uma loteria com R$ 126 milhões em prêmios para ajudar seus filhos exilados. Uma Mega-Solidariedade, onde o bilhete vale mais que discurso, e a sorte se veste de esperança.

Enquanto isso, o mundo gira, a hipocrisia faz stretching e a justiça tropeça nas próprias togas. O senador que deveria dar exemplo brinca de mochileiro internacional; o povo que devia ser prioridade vira estatística na planilha do sistema. E lá no México, num canto onde a esperança dança com mariachis, a solidariedade vira prêmio de loteria – porque neste mundo torto, até o amor ao próximo precisa de sorte.

Mas não percamos a poesia: ainda há mutirões, ainda há bilhetes premiados de compaixão, ainda há juízes que não dormem no ponto. Ainda há crônicas para lembrar que o riso é resistência, a metáfora é escudo, e a ironia, meu caro leitor, é o último gole de lucidez no copo vazio da realidade.

E assim seguimos, entre filas, fugas e fé, tentando sobreviver ao noticiário como quem tenta andar de bicicleta num terremoto. No fim das contas, o Brasil é isso: um samba triste tocado com pandeiro de esperança.

Amém. Ou melhor: amém e boa sorte na loteria da dignidade.