CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de dezembro de 2024 Dia de Natal

Giro de notícias no dia de natal

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de dezembro de 2024 Dia de Natal
Publicado em 26/12/2024 às 14:22

O Natal em Crônicas e Contrastes


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era Natal. Um dia de união, celebrações e, claro, narrativas que se desenrolam entre a esperança e a ironia do cotidiano. Em Sergipe, o sol parecia conspirar com as festividades, levando os sergipanos para as praias, onde o calor disputava protagonismo com as águas salgadas. Enquanto isso, em Laranjeiras, os passos cadenciados do reisado ecoavam séculos de tradição, lembrando que o Natal pode ser também um ato de resistência cultural.

Nas primeiras horas da manhã, porém, havia trabalhadores que não tinham a opção de descansar. O relógio e as contas não reconhecem feriados. Eles acordavam cedo, enquanto outros se deliciavam com as atrações da Vila do Natal Iluminado em Aracaju, onde as luzes competiam com os sonhos de um futuro mais brilhante.

Lá em cima, a quilômetros de distância e gravidade, dois astronautas celebravam o Natal na Estação Espacial Internacional. Presos no espaço, mostravam, em vídeo, um lado inesperado da humanidade: até nas adversidades mais cósmicas, há tempo para celebrar. Que ironia, pensei. Aqui na Terra, muitos presos aos seus próprios mundos sequer se permitiram respirar o espírito natalino.

E enquanto o planeta girava, o Brasil, em seu eterno vaivém político, não tirava férias. A AGU cobrava explicações do Banco Central sobre uma cotação errada do dólar no Google. O sistema parecia brincar de “Papai Noel ao avesso”, oferecendo valores inflacionados de presente. E no cenário jurídico, a PGR reforçava que o general Mário Fernandes, preso por suas aspirações golpistas, deveria continuar onde está. Afinal, o Natal não redime quem brinca com a democracia.

Do outro lado do mundo, os Estados Unidos enterravam a agência de combate à desinformação, como se o Congresso de maioria republicana tivesse enjoado de jogar xadrez com a propaganda russa e chinesa. Enquanto isso, na Ucrânia, a Rússia deixava milhares sem luz no Natal, disparando mísseis com a mesma frieza que um vento de inverno. Zelensky chamou de “desumano”, e ele tinha razão. Há pouca humanidade em arruinar a esperança em um dia que deveria ser sagrado.

Entre as praias e os mísseis, o calor sergipano e o frio ucraniano, o que restava? A certeza de que o Natal, com suas luzes e sombras, reflete o mundo que temos: contraditório, caótico, mas ainda cheio de pequenos milagres. E talvez, no próximo ano, possamos iluminar mais a alma do que as fachadas.

Feliz Natal! Que a próxima viagem espacial seja para dentro de nós mesmos.