CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 25 de Agosto de 2025
Abram o jornal e mergulhem nas noticias do 25º dia de agosto de 2025. Eita Agosto teimoso !
“O Circo de 25 de Agosto: Entre Catapora, Togados e Bombas”
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Abram o jornal, esse circo de papel onde palhaços e trapezistas se confundem com ministros, generais e chefes de Estado. Hoje, 25 de agosto de 2025, o espetáculo começa com uma varicela dançando entre carteiras escolares de São Cristóvão. A catapora, essa artista do contágio, fez 500 alunos se transformarem em público forçado do teatro das bolinhas vermelhas. Agora, o retorno às aulas parece mais uma procissão de sobreviventes que escaparam do confete viral. A doença foi embora, mas deixou risos nervosos e marcas invisíveis — porque até o ensino tem que carregar cicatrizes de guerra microscópica.
Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal encena outro drama: Alexandre de Moraes pede alegações finais dos “kids pretos”. Nome pomposo para um núcleo que parece saído de um filme de ação mal dirigido: militares fardados de retórica, mas fantasiados de democracia de ocasião. Eles sonharam com golpe de Estado, mas acordaram no reality show do STF. E lá estão eles, personagens de uma novela onde a justiça usa toga como capa de super-herói, mas ainda precisa de plateia para aplaudir.
Do outro lado do palco, Bolsonaro tenta explicar seu eterno jejum de obediência. O STF dá 48 horas para que a PGR decida se ele cumpriu as medidas impostas. Quarenta e oito horas — tempo suficiente para um rojão queimar, um boi ser vendido na feira e um boato virar manchete. Bolsonaro, especialista em transformar respostas em enigmas, joga a responsabilidade no vento e espera que o tempo o absolva, como quem joga milho esperando que a galinha da impunidade apareça.
Mas nem só de tribunais e catapora vive o jornal. No Planalto, Lula recebe Bola Tinubu, presidente da Nigéria, e anuncia que Brasil e Nigéria apostarão no livre comércio. Dois gigantes tentando remar contra a maré do protecionismo, enquanto o mundo se fecha como porta de boteco às duas da manhã. Lula fala de livre comércio como quem recita poesia no meio de uma feira: esperançoso, mas consciente de que o barulho dos caixas registradores costuma engolir a melodia das promessas.
E, como sempre, Trump aparece com sua corneta inflamada. Ele exige que a China forneça ímãs aos Estados Unidos ou sofrerá tarifas de 200%. Ímãs, vejam só: objetos que unem polos, mas que, nas mãos de Trump, viram armas para separar ainda mais. A geopolítica virou feira de imãs de geladeira — cada país tentando grudar sua bandeira na porta do mundo, enquanto o planeta range como freezer antigo prestes a pifar.
Mas o noticiário se fecha em Gaza, com mais uma cena de tragédia que se repete como eco maldito. Ataques israelenses atingem um hospital, deixando vinte mortos, entre eles cinco jornalistas. Israel chama de “acidente trágico”. O eufemismo sangra: acidente é tropeçar na calçada, não despejar bombas sobre leitos. O jornalismo, que deveria ser farol, apaga-se em escombros. Gaza continua sendo palco de um teatro onde as cortinas são de fumaça e os aplausos vêm apenas do silêncio forçado dos mortos.
Reflexão Final
O dia 25 de agosto de 2025 nos mostra que o mundo é um tabuleiro de xadrez onde os reis tropeçam, os bispos mentem e os peões são sacrificados sem dó. A catapora nos lembra da fragilidade humana, a política nos recorda da teimosia em brincar de golpe, Trump transforma ímãs em munição de retórica e Gaza sangra em nome de um “acidente” que nunca é acidente.
Resta-nos perguntar: até quando chamaremos tragédias de fatalidades, disputas de políticas, e farsas de democracia? O jornal fecha, mas a crônica continua aberta dentro de nós, pedindo que ao menos nossas palavras não se acostumem ao absurdo.




