CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Setembro de 2025

O RESUMO DO DIA 24 DE SETEMBRO DE 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de Setembro de 2025
Publicado em 25/09/2025 às 10:07

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

As bombas de combustível em Aracaju, coitadas, foram interditadas como se fossem crianças levadas ao canto da sala por mau comportamento. Um tapa simbólico do ITPS, que pode custar de cem reais até um milhão e meio – veja que beleza de matemática tropical: a multa é um arco-íris que vai do troco da feira até a herança de um banqueiro. As bombas, personificadas, devem estar chorando gasolina pelas torneiras, sussurrando: “não foi nossa culpa, apenas cuspimos o que nos mandaram engolir.”

Enquanto isso, no palco romano da política, a PEC da Blindagem foi enterrada. Enterrada sem flores, sem cortejo, mas com palmas discretas de um Senado que, pela primeira vez em muito tempo, ensaiou um passo de dignidade. O caixão da impunidade desceu ao som de ironias celestiais: “aqui jaz a blindagem, que não blindou nem a vergonha.” E como quem não perde a chance de um espetáculo, o mesmo Senado tirou da cartola a mágica da isenção do IR até R$ 5 mil. Aplausos, luzes, flashes, tudo isso para expor a Câmara, que ainda engatinha no lamaçal de suas próprias manobras. Arthur Lira, figura carimbada, aparece como fantasma na fotografia, sorrindo como quem diz: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come — e eu sou os dois bichos.”

Mas, na contramão do cinismo humano, um felino virou metáfora da resistência. Lá nas trincheiras da Ucrânia, onde a vida é moeda de cobre e o silêncio é mais pesado que bombas, um gato foi resgatado. Não era apenas um gato: era um irmão de armas, um pequeno general de bigodes que dividia a fome, aquecia a noite gelada e lembrava aos soldados que a guerra não conseguiu matar toda a ternura do mundo. Imagino o olhar do bicho — pupilas de poesia num campo de pólvora — ensinando aos homens que, às vezes, é preciso miar para sobreviver.

E assim seguimos: entre bombas interditadas e bombas humanas, entre blindagens enterradas e gatos ressuscitados, o Brasil e o mundo dançam esse samba de contradições. O humor nos salva, a ironia nos guia, mas é a ternura felina que nos devolve a fé de que ainda resta algo puro nesse cenário de descalabros.