CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de março de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
No grande teatro da vida pública, o Brasil amanheceu vestido de confete e contradição. De um lado, os cofres afinavam seus cintos como quem entra de dieta forçada; do outro, os palcos das festas ainda piscavam como vaga-lumes elétricos, teimosos, querendo brilhar mesmo com o bolso vazio. Eis que surge a tal nota técnica — uma espécie de freio moral no carnaval dos gastos — tentando ensinar aos gestores que dinheiro público não é serpentina jogada ao vento. Mas há quem dance com o orçamento como se fosse frevo: rápido, alegre e perigosamente descontrolado.
Enquanto isso, o país prepara uma armadura contra o crime, como um cavaleiro medieval atrasado para a própria batalha. “Brasil contra o Crime Organizado” soa como nome de filme de ação, daqueles em que o herói chega suado, mas chega. Tomara. Porque há lugares onde o Estado virou visitante e o crime, síndico do prédio. E a sociedade, coitada, paga condomínio em medo e silêncio.
E, atravessando o oceano como um sussurro triste, vem a história da menina em Portugal — negada não por falta de sonho, mas por excesso de humanidade. Seu déficit cognitivo virou carimbo de exclusão, como se a sensibilidade fosse defeito de fabricação. Ironia cruel: em um mundo que precisa tanto de empatia, recusam justamente quem a carrega no olhar.
Assim, o dia seguiu — um malabarista cansado equilibrando leis, promessas e injustiças. Entre planilhas e prisões, entre decretos e despedidas, o Brasil continua sendo esse poema inacabado: às vezes rima com esperança, outras com descaso. E nós, leitores dessa crônica viva, seguimos tentando entender se somos autores da mudança… ou apenas figurantes de um roteiro que insiste em repetir seus velhos erros.




