CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Caro leitor(a), antes de dormir, ajeite o travesseiro da imaginação, cubra-se com o cobertor da ironia e abra a janela da noite, porque as notícias de hoje chegaram de chinelo, gravata e nariz de palhaço.
Em Aracaju, a Mega-Sena resolveu brincar de amor não correspondido. Um bolão bateu na porta do paraíso milionário, mas o destino abriu só a janelinha e disse: “Hoje não, meu filho”. Acertaram cinco dezenas e receberam um prêmio que dá para comemorar com churrasco, refrigerante, prestação do mês e ainda sobra para comprar um sonho parcelado em doze vezes sem juros emocionais. Oito pessoas dividiram a alegria e descobriram que felicidade compartilhada multiplica sorrisos… mas não multiplica milhões. A sexta dezena ficou escondida em algum lugar do universo, tomando café e rindo baixinho.
Enquanto isso, em Brasília, a Justiça vestiu terno de granito e respondeu com voz de elevador sem música: “aguarde o próximo andar”. O processo virou um labirinto onde cada porta abre para outra porta e cada corredor parece discutir com o relógio. De um lado, acusações; do outro, defesa; no meio, o povo brasileiro — esse eterno comentarista profissional da vida alheia — sentado na arquibancada das redes sociais distribuindo sentença como quem distribui amendoim em estádio. E a verdade, coitada, caminhando de sandália, tentando alcançar o noticiário sem tropeçar.
Do outro lado do oceano, em Manchester, o futebol chorou de terno azul. Guardiola saiu de cena como maestro que desliga as luzes depois do concerto. O Etihad parecia um castelo de emoções derretidas. Teve lágrima descendo como chuva em vidro de ônibus. Teve despedida com gosto de café frio e aplauso comprido. O futebol tem dessas coisas: constrói impérios com chuteiras e depois entrega flores na saída. Vinte troféus depois, até o vento parecia cantar em espanhol baixinho: “não existe campeão que escape do calendário”.
E então veio Washington… e a realidade decidiu interromper a comédia do dia com um trovão sem aviso. Nos arredores da Casa Branca, tiros cortaram o ar como páginas rasgadas de um livro que ninguém queria ler. A humanidade, que inventou foguete, inteligência artificial e café gourmet, ainda tropeça na pedra mais antiga do caminho: transformar tensão em pólvora. O mundo às vezes parece um grande condomínio onde ninguém consegue combinar o silêncio.
No fim das contas, este domingo foi um retrato curioso da existência: teve aposta que quase mudou vidas, despedida que molhou arquibancadas, decisões que dividiram opiniões e tiros lembrando que o planeta continua precisando urgentemente reaprender a conversar.
Durma, leitor. Amanhã o mundo acorda cedo para fabricar mais notícias. E nós estaremos aqui — com metáforas na mochila, ironia no bolso e esperança teimosa no coração — tentando entender esse grande circo onde os palhaços às vezes usam gravata… e os mágicos desaparecem sem revelar o truque.




