CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de julho de 2025

As manchetes do 24º dia de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 24 de julho de 2025
Publicado em 25/07/2025 às 13:47


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


E o mundo acordou mais uma vez com o despertador da tragédia e o alarme da contradição. Era 24 de julho de 2025 e, enquanto o sol tentava iluminar o planeta, a humanidade insistia em apagar o brilho com a borracha do egoísmo e a caneta do descaso.

Em Aracaju, dois cavalheiros da malandragem decidiram praticar o esporte nacional: enganar os outros. Mas, vejam só, não eram apenas golpes comuns, eram golpes em idosos. Sim, senhores e senhoras de cabelos brancos e passos lentos, que já apanharam da vida o suficiente, agora são alvos da astúcia moderna. Esses falsários não têm espelho em casa? Ou será que, ao se olharem, veem apenas cifrões dançando uma lambada no fundo das retinas? Talvez a alma deles já tenha feito check-out do corpo.

Enquanto isso, em outro front da batalha pela sanidade social, a Senacon resolveu mostrar os dentes — ainda que um pouco cariados de burocracia — e suspendeu a venda de cigarros eletrônicos. Aqueles que prometiam ser a salvação da fumaça viraram os novos demônios do sopro tóxico. Uma baforada de modernidade que se revelou um vendaval de doenças. Suspende aqui, multa ali, R$ 50 mil por dia para empresas reincidentes. Mas até lá, quantos pulmões vão virar cinzeiros de luxo?

O Carrefour e o Enjoei — este último talvez precise trocar de nome para “Enjoei Mesmo” — viraram alvos de advertência oficial. Talvez o “carro furado” esteja andando rápido demais na estrada do lucro fácil, enquanto o outro transforma o desapego em desapontamento.

No palco do capitalismo cíclico, uma rara chuva de moedas caiu do céu financeiro: o Conselho do FGTS resolveu liberar quase R$ 13 bilhões para os trabalhadores. Um milagre do deserto fiscal! Mas calma, trabalhador: não é pra já. Os pagamentos vão até o fim de agosto. Até lá, você pode sonhar com o Pix que não chega, com a parcela do cartão que não espera, e com a cesta básica que virou artigo de luxo. Afinal, dinheiro é como cometa: aparece de vez em quando e só brilha para quem olha rápido.

E enquanto o Brasil conta centavos, Gaza conta corpos e ossos. A ONU grita num deserto de escutas seletivas: seis mil caminhões de ajuda humanitária estacionados, barrados por muros invisíveis da geopolítica e da indiferença. Se fosse petróleo, já teriam cavado túneis. Mas como é comida para crianças esqueléticas, sobra apenas burocracia e discursos diplomáticos temperados com cinismo.

“Os pais estão famintos demais para cuidar dos filhos”, diz um relatório. E eu pergunto: que espécie de mundo construímos onde o amor parental é sufocado pelo estômago vazio? Em Gaza, o leite materno virou lenda e o pão é poesia amarga. Enquanto isso, as nações civilizadas discutem o próximo drone com câmera 4K e ignoram o choro com baixa resolução vindo de um campo de refugiados.

Essa crônica poderia acabar com esperança, mas seria desonesto. Hoje, só restou a reflexão: se temos bilhões para fundos, multas para empresas e avanços tecnológicos em cada esquina, por que ainda deixamos uma criança morrer de fome sob o mesmo céu em que celebramos fogos de artifício? Talvez porque o problema do mundo não seja falta de recursos — é excesso de indiferença.

E se amanhã alguém disser que a vida é bela, não discuta. Apenas pergunte: pra quem?


Crônica escrita com lágrimas invisíveis e ironias afiadas.
Saudações do cronista que ainda sonha com um mundo menos hipócrita,
Antonio Glauber – direto de Japaratuba-SE.