CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de Setembro de 2025

O Resumo do surpreendente dia 23 de setembro de 2025.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de Setembro de 2025
Publicado em 24/09/2025 às 6:22

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Comecemos, leitor amigo, com o sumiço de um turista de 75 anos em Aracaju. Setenta e cinco anos! A idade em que os relógios já não marcam horas, mas memórias. O homem deixou o hotel de madrugada — talvez buscando as estrelas que os postes da Orla esconderam, talvez procurando a juventude no vento salgado — e acabou localizado no Bairro Industrial. Ironia do destino: foi procurar poesia nas ondas e terminou achando ferrugem no cais. A vida, essa danada, sempre trocando nossas bússolas por labirintos.

E se o turista se perdeu na noite sergipana, a Polícia Federal resolveu encontrar monstros escondidos nas casas com cortinas fechadas: operação contra crimes de abuso sexual infantojuvenil. Aqui o humor cala, porque a metáfora perde as cores diante do horror. Como aceitar que ainda haja quem transforme a inocência em cativeiro? O silêncio da sociedade é cúmplice; a ironia, nesse caso, é o grito de revolta.

Na Itália, Carla Zambelli faz videoconferência de dentro de uma penitenciária. Eis a “live” mais sincera da sua carreira: não há filtro que esconda grades. Deputada licenciada, condenada pelo STF, conectada agora não a seguidores, mas a senadores que decidirão se ela segue no álbum de figurinhas da política. O Brasil virou uma novela em que até a tela da prisão é usada como plenário.

Enquanto isso, no Congresso, a PEC da Blindagem tenta transformar parlamentares em super-heróis invulneráveis à Justiça. Mas, convenhamos: não se trata de “blindagem”, e sim de capa de invisibilidade costurada com fios de impunidade. O relator Alessandro Vieira chamou de “golpe fatal” na legitimidade. Concordo. Afinal, se aprovada, cada deputado e senador passaria a desfilar com seu próprio escudo do Capitão Amoral.

E em Nova York, o palco foi a ONU, mas o enredo parecia cena de stand-up diplomático. Lula discursou: citou Bolsonaro, lembrou a condenação, disse que o Brasil deu o recado aos autocratas de plantão. A plateia mundial aplaudiu. Mas quem roubou a cena foi o presidente americano, que confessou ter tido uma “química excelente” com Lula. Ah, meus caros! A diplomacia virou Tinder geopolítico: “match” entre Casa Branca e Palácio do Planalto. Falta só trocar emojis de coraçãozinho na próxima reunião.

Do outro lado do mundo, em Taiwan, a tragédia. Um supertufão chamado Ragasa rompeu um lago, destruiu ponte, arrastou casas. Quatorze mortos, mais de cem desaparecidos. Lá, a água não é poesia, é sentença. Uma onda de lama que escreve seu poema em cadáveres. A natureza, cansada de ser explorada, resolveu responder em maiúsculas e pontos de exclamação.

E assim foi o dia, caro leitor:

  • Um turista reencontrado no bairro errado.
  • Crianças protegidas tarde demais pela lei que deveria ter agido antes.
  • Uma deputada transformada em holograma carcerário.
  • Parlamentares tentando vestir armaduras contra a Justiça.
  • Presidentes trocando confidências como adolescentes no recreio.
  • E a Terra, furiosa, lembrando que ainda detém o último microfone.

Fecho esta crônica com o peso de metáfora amarga: o mundo é uma orquestra desafinada, em que cada notícia é um instrumento tocando no tom errado. Cabe a nós decidir se seremos plateia passiva ou maestros de um novo compasso. Porque, no fim, a história não é escrita pelas manchetes — mas por quem ousa transformar o caos em consciência.

Saudações do amigo, Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE