CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de maio de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Peguem os guarda-chuvas da ironia, apertem os cintos da imaginação e embarquem no ônibus das notícias, porque o dia 23 de maio resolveu brincar de teatro e colocou no palco três personagens improváveis: o mosquito, a toga e o mapa-múndi em crise de GPS.
Em Aracaju, começou o grande carnaval sem trio elétrico: o mutirão contra a dengue. E lá foram homens e mulheres armados com sacos, vassouras e coragem, enfrentando o maior latifundiário urbano do Brasil: o pneu velho com piscina privativa para mosquito. A cidade virou arena e o Aedes aegypti apareceu com cara de síndico dizendo: “Aqui é condomínio fechado”. Mas o povo respondeu no modo faxina olímpica: balde vazio, caixa tampada e adeus ao resort cinco estrelas dos pernilongos. Porque mosquito, quando encontra descuido, vira empresário; quando encontra limpeza, pede recuperação judicial.
Enquanto isso, em Brasília, o relógio do julgamento resolveu tomar café sem açúcar e andar em câmera lenta. A Segunda Turma do STF abriu o tabuleiro jurídico, surgiram votos, apareceu pedido de vista e o processo ganhou aquele tempero nacional chamado: “continua no próximo capítulo”. O povo, olhando de longe, já preparava pipoca, rede e travesseiro porque no Brasil até decisão às vezes entra em fila igual repartição em dia de sistema fora do ar. A Justiça, elegante e silenciosa, parecia uma tartaruga de gravata correndo maratona filosófica.
E do outro lado do planeta, o Irã olhou para o mapa, respirou fundo e disse: “Melhor mudar o campo de treino”. A guerra fez o futebol arrumar as malas sem aviso prévio. O centro de treinamento atravessou fronteiras como quem troca de guarda-chuva antes da tempestade. A bola, coitada, que nasceu para beijar rede, acabou aprendendo geopolítica. O gramado virou diplomata e o apito pediu paz em volume máximo.
No fim do dia, ficou a lição que as notícias cochicharam no ouvido da humanidade: há batalhas contra mosquitos, batalhas nos tribunais e batalhas entre nações… mas nenhuma delas é vencida apenas com barulho. Algumas pedem limpeza. Outras paciência. E quase todas pedem menos incêndio nas palavras e mais construção nas atitudes.
E assim terminou o 23 de maio: com um mosquito querendo reinar, processos querendo tempo e uma seleção descobrindo que até o futebol, às vezes, precisa pegar estrada para fugir da fumaça do mundo.




