CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de maio de 2025
23 de maio de 2025 o adeus de Sebastião Salgado o gênio da fotografia, o fotógrafo mineiro recebeu praticamente todos os prêmios da área do mundo e transformou para sempre a fotografia no Brasil e no mundo.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Na vitrola do universo, o disco da sexta-feira 23 de maio girou em tom menor, arranhado, triste… E a humanidade apertou o pause, cabisbaixa, diante da notícia que desenhou em preto e branco um luto planetário: morreu Sebastião Salgado, o homem que fotografava a alma do mundo.
Se a lente dele capturava a essência dos miseráveis, dos exilados, dos esquecidos e dos famintos, hoje quem ficou desfocado foi a própria esperança. As câmeras do planeta, órfãs, tentam agora focar um mundo que Sebastião denunciou, encantou e, sobretudo, tentou salvar — não apenas com imagens, mas com árvores, sementes e reflorestamento da dignidade humana.
Aimorés perde um filho, e o mundo perde seus olhos. O poeta da luz e da sombra fez sua última viagem, sem passaporte, sem alfândega, sem bagagem — levando apenas um enorme acervo de humanidade impressa no negativo da eternidade.
Enquanto o Planalto silenciava por um minuto, cá entre nós o silêncio pareceu uma eternidade — porque silêncio, quando morre um gigante, pesa toneladas.
Mas nem só de lágrimas vive a sexta. O palco da política brasileira, sempre mais animado que qualquer circo mambembe, nos presenteou com mais um espetáculo tragicômico: Aldo Rebelo, aquele que já foi comunista, nacionalista, ministro e quase astronauta, levou uma prensa de Alexandre de Moraes. O ministro do STF, de sobrancelhas arqueadas e olhar que vale mais que mil habeas corpus, foi direto: “Se não se comportar, será preso por desacato.”
A cena, digna de Oscar, parecia uma mistura de tribunal com show de stand-up. Aldo, que tentou dar uma de esperto, esqueceu que, no Brasil atual, quem brinca de ser engraçadinho no Supremo pode acabar de tornozeleira na canela e manchete nos jornais.
E falando em grana — essa entidade sagrada dos mercados —, o governo resolveu mexer no bolso de quem sonhava em guardar uns trocados lá fora. Aumentou o IOF sobre operações cambiais! Agora, quem pensava em comprar dólar pra viajar, investir ou, quem sabe, fugir desse Brasil de memes, vai precisar vender o carro, a geladeira, o rim e, se vacilar, até a alma.
A lógica é simples: se não conseguimos segurar o dólar no grito, vamos segurar no imposto. É o famoso “não sei se mato o dólar ou se mato você”. E assim seguimos, num país onde até o câmbio parece uma novela mexicana — cheia de traições, lágrimas e vilões.
Em Sergipe o Jornalista Fernando Petrônio recebe título de cidadão aracajuano. O relatório técnico de auditoria da Maternidade Lourdes Nogueira é encaminhado ao TCE .
No tabuleiro internacional, o jogo da insanidade continua. Rússia e Ucrânia trocaram prisioneiros — como quem troca figurinhas na porta da escola — e, logo depois, a Rússia decidiu comemorar lançando mísseis em Kiev. Diplomacia estilo roleta russa: você nunca sabe se ganha flores ou explosivos.
E como desgraça pouca é bobagem, a Alemanha, aquela terra dos filósofos e da cerveja, virou palco de um ataque com faca que deixou 18 feridos. A loucura parece ter assinado contrato vitalício com a humanidade.
Do outro lado do Atlântico, uma pequena vitória da razão: a Justiça dos EUA deu um tapa na cara do legado Trump e derrubou a proibição que impedia alunos estrangeiros de estudar em Harvard. O mundo respira — ou tenta — enquanto a ignorância insiste em se vestir de política, de extremismo, de intolerância.
Entre tragédias, impostos, mísseis, punhaladas e tapas judiciais, resta-nos a poesia. A poesia da resistência. A poesia de quem, como Sebastião Salgado, acreditou que uma fotografia pode não mudar o mundo, mas pode, sim, mudar o olhar de quem vê o mundo.
E que seja este nosso compromisso: reflorestar consciências, plantar humanidade, fotografar esperança — mesmo que o cenário insista em ser sombrio. Porque, no final das contas, somos todos negativos esperando a luz certa para nos revelar.




