CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O Brasil, meus caros, acordou hoje com febre alta, coceira generalizada e um zumbido que não vem do ouvido, mas do quintal. Nove municípios de Sergipe entraram oficialmente no “Clube dos Picados”, com índices de infestação do Aedes aegypti que fariam até o próprio mosquito pedir licença sanitária para continuar voando. Cedro de São João está na linha de corte, com um 4.0 na escala do desespero. Já Nossa Senhora da Glória, que deveria ser só de glória, bateu 6.6 – pontuação digna de escola de samba campeã… mas no quesito “melhor criadouro de dengue”.
Enquanto os mosquitos fazem rave nas calhas alheias e banquete nas canelas da população, a política faz seu próprio balé aéreo, dançando com dólares antes mesmo da música começar. Parlamentares governistas pedem CPI para investigar operações suspeitas no mercado de câmbio, realizadas minutos antes do tarifaço de Trump. É como se alguém soubesse do final da novela antes da exibição. Spoiler político? Não. Aqui a gente chama de “Inside Trading com jeitinho tropical”. Afinal, se mosquito transmite dengue, político esperto transmite lucro.
E já que falamos em controle, o governo federal decidiu botar o dedo — literalmente — na assistência social. Lula assinou decreto obrigando o uso de biometria para acesso aos benefícios. Agora, para garantir o auxílio, o cidadão terá que provar que é ele mesmo, o que, convenhamos, em tempos de fake news, deep fake e “perfil falso no zap da tia”, pode até fazer sentido. Mas a pergunta que fica no ar — além do Aedes — é: será que os dedos da burocracia não vão apertar mais forte nos mais frágeis?
Do outro lado do oceano, sob a névoa fria da Escócia, a areia resolveu desenterrar sua própria crônica de guerra. Um navio do século XVIII, afundado há 250 anos, emergiu da memória esquecida dos mares. Foi testemunha de batalhas do Império Britânico e da caça às baleias. E agora, deitado como um velho guerreiro de armadura enferrujada, conta sua história sem precisar dizer uma palavra. Ironia fina: o navio foi à guerra pelos homens, afundou pelas tempestades, e hoje é redescoberto pelos netos da ciência. Talvez ele queira nos dizer que tudo o que se afunda pode um dia voltar à tona — inclusive a dignidade nacional, se bem escavada.
Mas voltemos ao calor do trópico, onde o mosquito reina e a indignação voa. Em tempos onde a política sangra, a ética apodrece e o povo coça, tudo se mistura: a dengue com o descaso, a biometria com o controle social, o dólar com o sigilo, e o passado com seus fantasmas marítimos.
Enquanto isso, o povo, esse eterno marinheiro de águas turvas, navega com um barco furado de promessas, remando com colher de pau contra uma correnteza de absurdos. E ainda é acusado de não fazer esforço. Pobres de nós, picados por mosquitos, sugados por impostos e afogados em decretos.
O Brasil precisa urgentemente de repelente ético, vacina de vergonha na cara e mosquiteiro de justiça social. Ou então, que venha o navio escocês e nos leve a todos para um lugar onde o passado naufragado ainda tenha mais dignidade do que o presente flutuante.
Porque, sinceramente, entre um mosquito que transmite doença e um político que transmite lucro suspeito… fico com o inseto. Pelo menos ele não promete acabar com a miséria enquanto chupa o sangue alheio.




