CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 23 de janeiro de 2025
Giro de notícias do dia 23 de janeiro de 2025 : Japaratuba chora na despedida do cantor Keninho Vaqueiro uma despedida a altura , o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui” tem 3 indicações ao Oscar.
As notícias do dia 23 de janeiro de 2025
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No palco da vida, o microfone se cala para Keninho Vaqueiro, o jovem que cantava histórias com o sabor de sertão e o som das vaquejadas. Em Japaratuba, o luto virou uma melodia de despedida, enquanto lágrimas escorriam como rios que não encontram o mar. Era como se o céu, ao anoitecer, houvesse perdido uma estrela teimosa que brilhava mesmo em noites nubladas. Keninho agora é um eco eterno no coração de seu povo.
Enquanto uns deixam saudade, outros espalham violência. No teatro sombrio da nossa realidade, um homem, armado de ódio e desespero, invadiu o palco alheio, ferindo idosos que carregam nas rugas o peso de muitas histórias. A violência é o rugido de uma sociedade que perdeu o tom, uma orquestra desafinada onde a dignidade raramente toca seu instrumento. O destino, cruel ou justo, deu-lhe o choque do atropelo – ironia poética de um mundo onde a roda da vida nunca para de girar.
E o que dizer da leve brisa de alívio em Aracaju, onde a pesquisa trouxe um sussurro de boas notícias: o endividamento das famílias recuou. Mas cuidado, caro leitor, pois até as marés que recuam podem esconder ondas traiçoeiras. O preço dos alimentos, esta pedra teimosa no sapato do governo, segue esmagando orçamentos e ceifando o sossego das mesas mais humildes. Lula, em sua mesa de medidas, tenta cortar o caroço duro da inflação, mas a faca é cega, e a fome, afiada.
Enquanto isso, em Hollywood, o Brasil dá um grito de esperança. “Ainda Estou Aqui” – o título do filme parece um mantra para o país que insiste em se reerguer entre crises e conquistas. Fernanda Torres, com sua atuação que é puro ouro em tela, carrega na voz e no olhar a força de Eunice Paiva, mulher que transformou dor em luta, história em memória. Três indicações ao Oscar são o brilho de um farol que insiste em iluminar a nossa arte, mesmo em mares revoltos.
Do outro lado do mundo, drones rasgam os céus de Moscou como pássaros de guerra, enquanto na Califórnia, o fogo dança furioso, engolindo florestas e ameaçando luxos em Bel-Air. A humanidade, senhora de suas criações, parece brincar de incêndios e explosões, esquecendo-se de que a natureza também sabe rugir – e quando o faz, não há Bel-Air que resista.
E no Brasil, os números da Mega-Sena brincam de esconde-esconde com os sonhos de milhões. Enquanto o prêmio acumula, o imaginário popular passeia entre mansões fictícias, viagens impossíveis e promessas de um futuro sem dívidas. Mas a sorte, sempre ela, parece mais inclinada a flertar com poucos, enquanto a maioria segue com os bolsos vazios e o coração cheio de esperança.
No fim, a crônica de hoje é um mosaico: pedaços de tristeza, fagulhas de esperança, notas de ironia e pinceladas de emoção. O mundo é um palco, mas o roteiro às vezes parece escrito por mãos trêmulas, cheias de contradições. E nós, atores coadjuvantes, seguimos improvisando, na torcida de que o próximo ato seja mais gentil, menos amargo e, quem sabe, um pouco mais feliz.




