CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de dezembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 23 de dezembro de 2025
Publicado em 24/12/2025 às 23:14

Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE

O dia 23 acordou com a realidade vestida de fantasia — dessas de carnaval fora de época. Um chefão do tráfico resolveu brincar de morto-vivo: fingiu a própria morte, mas esqueceu de combinar com a polícia. Ressuscitou algemado no interior paulista, provando que no Brasil até o além tem endereço rastreável. A vida, irônica como ela só, cochichou: quem engana a morte acaba tropeçando na verdade.

Enquanto isso, nos salões encerados do poder, a toga ganhou holofotes. Indicação, sabatina, discurso polido — o Judiciário subiu ao palco como se fosse ópera, afinado por protocolos e expectativas. A democracia, senhora exigente, bateu palmas com parcimônia, lembrando que mérito não rima com aplauso fácil.

Lá fora, o mundo resolveu discutir aos gritos educados. Na ONU, palavras viraram projéteis diplomáticos: “extorsão”, “intimidação”, “caubói”. O planeta, cansado, suspirou em várias línguas. Potências posaram de xerifes, outras de vítimas, e a paz — essa figurante esquecida — ficou sentada no canto, esperando sua fala.

Assim foi o dia: um morto que não morreu, uma toga em ascensão e um planeta em disputa. A notícia, travessa, piscou o olho e avisou: a realidade não pede licença — entra, senta e serve ironia quente.