CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de julho de 2025

Entre tronos, tubarões, tributos e turbinas falhadas, a terça-feira o 22º dia de julho de 2025 dançou entre a escuridão e o espanto. Ozzy morreu. Um tubarão emergiu.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de julho de 2025
Publicado em 23/07/2025 às 9:58


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


E o céu do rock se fez mais escuro.
Não por ausência de luz, mas por excesso de luto.
Ozzy Osbourne, o Príncipe das Trevas, devolveu seu microfone ao silêncio eterno.
Partiu aos 76, deixando um trono vazio e um grito abafado nos corações dos que já berraram ao som de “Black Sabbath”.

Foi-se o homem que transformou urros em hinos, que afinou sua dor em tons menores e fez do palco um templo de exorcismos elétricos. Morreu como viveu: sob o peso de sua própria lenda, sentado num trono preto, feito um rei que já sabia que seu reinado era terreno demais para durar eternamente.

Enquanto Ozzy subia aos céus ao som de um solo de guitarra imaginário, lá nas profundezas do mar sergipano, um visitante ancestral resolveu dar as caras: um tubarão megaboca, criatura rara, dessas que aparecem menos que político honesto em época de eleição. Dizem que ele veio das profundezas, talvez para prestar homenagem ao pai do heavy metal ou, quem sabe, para nos lembrar que o mundo ainda tem mistérios que nem o IOF consegue tributar.

E por falar em IOF…
O governo, com seu pincel de austeridade, resolveu pintar de novo o orçamento: retirou R$ 1,8 bilhão da paleta de arrecadação e, como um mágico do Planalto, descongelou R$ 20,6 bilhões em recursos antes travados.
Mas não pensem que isso foi milagre!
Foi conta de chegada, suor de servidor, pressão do STF e o cheiro de bet e “fintech” tostando no forno das novas tributações.
O Brasil virou um reality show fiscal: entre congelamentos, descongelamentos, apostas online e ajustes de decreto, a plateia aplaude sem saber se está rindo ou pagando mais caro pelo ingresso.

Aliás, a economia anda tão bipolar quanto o tempo em Aracaju: ora ensolarada pelos discursos do Ministério da Fazenda, ora nublada pelas pancadas do Congresso.

No noticiário internacional, mais um capítulo da série “Top Gun versão ucraniana”.
Um caça Mirage 2000, presente da França, decidiu que não queria mais voar.
Caiu durante missão, como quem desiste de uma guerra que já virou maratona.
O piloto se ejetou a tempo – numa cena que é quase metáfora de tantos líderes que saltam do avião antes da colisão final.

Entre tronos, tubarões, tributos e turbinas falhadas, a terça-feira dançou entre a escuridão e o espanto.
Ozzy morreu. Um tubarão emergiu. O governo redistribuiu verbas como quem joga dominó no escuro.
E o povo brasileiro?
Segue como sempre: equilibrando-se entre o caos e o rock’n’roll, entre o boleto e o bordão.


Reflexão final:
No fundo, o Brasil é um eterno solo de guitarra: distorcido, vibrante, cheio de improvisos…
Mas a gente insiste em dançar. Mesmo desafinados.
Porque, como dizia Ozzy, a vida é louca — e o show não pode parar.


Antonio Glauber,
de Japaratuba para o mundo,
com a caneta na mão e o heavy metal no coração. 🎸🦈