CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de dezembro de 2024
O giro de notícias do 22 º dia de dezembro de 2024 entre luzes, quedas e esperanças frágeis, o dia 22 de dezembro nos lembra que o mundo segue dançando entre o sublime e o trágico.
Crônica do Professor Antônio Glauber: Reflexos de Dezembro
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
No dia 22 de dezembro de 2024, Aracaju acendeu uma luz para a educação, como quem desembrulha um presente de Natal atrasado. Após um hiato de 13 anos, o concurso público para professores enfim ocorreu. A cidade, que parecia uma criança esquecida no canto da sala, recebeu uma promessa de renovação. Professores, aqueles operários da palavra, agora têm a chance de trocar a insegurança das contratações temporárias por um pedaço de estabilidade. Um avanço, ainda que tardio, em um cenário onde educação costuma ser presente de grego.
Enquanto isso, a Vila do Natal Iluminado, na Orla da Atalaia, brilha como um sonho bom em tempos difíceis. Música, teatro, rodas-gigantes e patinação no gelo criam um espetáculo que tenta distrair os corações cansados da rotina. Mas será que a magia das luzes pode apagar os pesares do mundo? Talvez sim, talvez não. Enquanto as crianças riem na montanha-russa, em Bengala Ocidental, na Índia, outras confundem bombas com brinquedos e pagam com suas vidas. O Natal, esse símbolo de esperança, se dissolve em contraste entre o riso e a tragédia.
Falando em tragédia, o Brasil também escreveu seus capítulos. Uma ponte entre o Maranhão e Tocantins desabou, levando uma vida e sonhos para o fundo do rio. No Rio Grande do Sul, um avião caiu, levando uma família inteira. Gramado, conhecida por suas paisagens mágicas, agora carrega o peso de mais uma história triste. Em uma ponta, o Papai Noel; na outra, o destino inflexível.
Enquanto isso, no mundo dos absurdos, a espionagem digital ganha destaque. O Grupo NSO, famoso pelo spyware Pegasus, foi condenado nos EUA. O que parecia ficção virou realidade: o telefone, essa extensão da alma moderna, transformado em janela para olhos indesejados. Em tempos de conexões digitais, a privacidade é um enigma perdido.
E no palco internacional, Donald Trump resolveu mirar sua metralhadora verbal no Canal do Panamá, reclamando taxas e prometendo controle. Um déjà vu de um imperialismo que parecia adormecido. Do outro lado do Atlântico, Roma limpou sua Fontana di Trevi, mas limitou os visitantes, provando que até na contemplação a humanidade precisa de controle.
Já em Gaza, o horror continua. Escolas atingidas, crianças mortas e hospitais sob evacuação. A guerra, esse velho fantasma, insiste em mostrar sua face mais cruel. A terra que deveria ser de paz ecoa o som de bombas e choro.
Por fim, na Nigéria, eventos de caridade se transformaram em palco de pisoteamentos. O que deveria ser um ato de solidariedade virou tragédia, mostrando que, até na bondade, o caos encontra espaço.
Entre luzes, quedas e esperanças frágeis, o dia 22 de dezembro nos lembra que o mundo segue dançando entre o sublime e o trágico. Dezembro, com seu brilho e sombras, ecoa as contradições de um planeta que ainda não aprendeu a equilibrar seus passos.




