CRÕNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 21 de Fevereiro de 2026
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Era um sábado que parecia ter nascido com resfriado: olhos marejados de chuva e coração batendo que nem chaleira no fogo alto. Em Porto da Folha, a chuva fez mais do que molhar chinelo: veio como aquele parente inconveniente que não só fica, mas decide redecorar a casa — e derruba as paredes! Uma casa desabou, como se o solo dissesse “hoje eu trabalho em dobro”, confirmando que quando a natureza decide dançar, a gente só assiste ao show molhado. A Defesa Civil falou em interdição e água acumulada na estrada que leva à Ilha do Ouro — nome sonoro, quase poético, mas impossível de caminhar sem galo no pé.
Enquanto a lama subia no Nordeste, o presidente do Brasil estava no céu — ou melhor, a bordo de um avião que saiu da Índia rumo à Coreia do Sul, como se fosse estrela pop em turnê pelas terras da Ásia em busca de autógrafos diplomáticos. Ali, entre sorrisos coreanos e chai indiano, misturavam-se acordos comerciais e passeios estratégicos; diplomacia virou quase sinônimo de “vamos ver se a gente cresce no mapa e diminui esse aperto de mão frio lá de fora”.
E falando em aperto de mão: a Suprema Corte dos Estados Unidos resolveu derrubar um tal “tarifaço” que mais parecia castigo de avô rabugento. Lula celebrou, dizendo que o Brasil teve cautela — ou talvez que ele fez charme suficiente para virar protagonista no teatro das tarifas internacionais. O presidente até pediu para que o chefe norte-americano trate todos os países como se fossem convidados VIP: com igualdade, sorriso e zero tarifa extra no bolso.
Do outro lado do Caribe, a Venezuela abriu as grades de 379 presos políticos — um gesto que mais parecia espetáculo circense do que política real, com plateia aplaudindo e outros tantos ainda na sombra das celas. A lei de anistia virou quase poesia escrita na pressa, porque libertar uns enquanto centenas ainda esperam é como dar um pedaço de bolo e esquecer de tirar a vela — fica bonito, mas falta gosto de festa completa.
E assim seguimos: São Pedro regando nossos telhados, líderes do mundo girando seus globos diplomáticos como quem escolhe destino de férias e a palavra “justiça” ecoando às vezes como eco de montanha — bonito de ouvir, difícil de alcançar. A crônica de um sábado que cheirou terra molhada, diplomacia em trânsito e política como comédia romântica com final aberto — porque o mundo, meus amigos, é grande demais para as nossas certezas e pequeno demais para as nossas ironias.
Chuva que derruba casas, sorrisos que elevam discursos, grades que se abrem e outras que permanecem — tudo isso molda o barro da nossa história, e a gente pisa fundo, com humor, dor e aquele sabor agridoce no canto da boca.




