CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 20 de maio de 2025
Uma terça- feira de lágrimas, chuva forte, raios, despedidas, golpes, leis e tempestade.
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Terça-feira, 20 de maio de 2025. Um dia triste em que o céu chorou . Lágrimas desceram do firmamento em forma de chuva, lavando ruas, telhados, almas e memórias. Japaratuba e Pirambu amanheceram vestindo luto, enquanto a vida, impiedosa, desenrolava seu tapete de surpresas – nem todas agradáveis.
No palco da existência, o ex-prefeito de Japaratuba Pedro Moura Neto encerrou seu último ato. A ribalta se apagou, as cortinas fecharam e o silêncio tomou conta da plateia. O câncer — esse monstro, a maldita célula rebelde biológica, esse revolucionário celular que não respeita hierarquia, ordem nem disciplina — foi o vilão desse roteiro cruel. Um exército de células insurgentes, que, numa guerra interna, decretaram a falência do corpo, como se fosse uma prefeitura invadida por vândalos microscópicos.
O corpo, que outrora caminhou por becos, praças, ruas, gabinetes e palanques, foi velado na Câmara de Japaratuba — templo dos discursos, das promessas e das memórias. Depois, seguiu viagem não para o descanso do mármore frio, mas para o fogo simbólico da cremação em Itaporanga, onde virou cinza, virou brisa, virou lembrança. O legado de Pedro jamais será esquecido.
Mas a foice da dona Morte não fez plantão apenas em Japaratuba. Em Pirambu, Iran — eletricista de profissão, acendedor de lâmpadas e apagador de tristezas — teve sua luz desligada por um infarto fulminante. Irônico destino: quem consertava curto-circuito nas casas, não pôde reparar o pane súbito do próprio coração.
Enquanto isso, as nuvens de Sergipe resolveram abrir as torneiras dos céus. Era chuva pra todo lado: goteira na sala, enchente na rua, água entrando onde não foi convidada. A cidade de Aracaju virou uma aquarela acinzentada, cenário perfeito para o desfile de galochas, sombrinhas furadas e promessas antigas de drenagem urbana nunca cumpridas. As trovoadas anunciaram, em alto e bom som, que São Pedro está insatisfeito com algo — talvez com a política, talvez com os boletos, quem sabe com o preço da energia.
E por falar em energia… um golpe elétrico — não das nuvens, mas da malandragem — caiu sobre um pobre aposentado. Uma golpista, disfarçada de anjo bancário, prometeu dinheiro do INSS. Resultado? R$ 41 mil evaporaram, como mágica, para os cofres do crime. O velhinho ficou sem dinheiro e sem fé na humanidade, enquanto os estelionatários seguem surfando na ignorância digital alheia.
No mundo das leis e das fardas, uma bomba sem trovoada explodiu: o STF finalmente vestiu a toga da coragem e colocou generais e coronéis golpistas na roda dos réus. As Forças Armadas, que há muito brincavam de flertar com o poder, agora percebem que democracia não é quartel e que golpe não se conjuga no presente, nem no futuro — só no passado. Um puxão de orelha jurídico que soa como sinfonia para quem ainda acredita na República e como grito de alerta para os saudosistas da farda no poder.
E vejam só… o Senado decidiu brincar de mecânico constitucional: tentam parafusar o fim da reeleição. Prefeitos, governadores e presidentes que já se acostumaram a se olhar no espelho por oito anos, agora podem ter que aceitar a dura realidade de um mandato só. A proposta soa como poesia democrática, mas a dúvida fica: será que os próprios mecânicos querem mesmo largar a chave de boca do poder?
E, enquanto isso, na Itália, o berço das massas, das nonnas e dos processos de cidadania, a Câmara resolveu fechar a porta para os estrangeiros. Filhos e netos de italianos terão que pular mais obstáculos que os atletas de Paris 2024 para conseguir a tal cidadania. O sonho da dupla nacionalidade virou um labirinto jurídico, onde o Minotauro é o próprio governo.
E assim, meu caro leitor, entre raios, despedidas, cinzas, golpes, leis e tempestades, o mundo segue girando — torto, mas segue. Uns partem, outros ficam; uns legislam, outros reclamam; uns fraudam, outros choram; uns sonham com a cidadania italiana, outros afundam na enchente da vida.
A vida, essa senhora sem roteiro fixo, segue nos ensinando que somos passageiros num trem sem estação definida. E que, no fundo, cada notícia é um espelho: reflete o que somos, o que perdemos, o que tememos e — quem sabe — o que ainda podemos mudar.
E que Deus nos dê guarda-chuva, luz no coração e esperança no bolso. Amém !
Para as famílias enlutadas dos saudosos Pedro Moura e Iran dos Santos nossos sinceros sentimentos.




