CRÔNICA

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 20 de janeiro de 2025, dia de São Sebastião

E lá se vai o dia 25 de janeiro entre flechas invisíveis, promessas duvidosas, bilionários que se multiplicam como coelhos dourados e líderes políticos que dançam no fio da insensatez, seguimos. São Sebastião, que tua resistência nos inspire, porque hoje, mais do que nunca, o martírio parece ser o destino de quem ousa lutar por justiça, educação e humanidade.

Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 20 de janeiro de 2025, dia de São Sebastião
Publicado em 21/01/2025 às 11:49

As notícias do dia 20 de janeiro de 2025, dia de São Sebastião


Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


São Sebastião, santo das flechas cravadas, mártir das batalhas, hoje tua data ressoa no cenário de um mundo que dança entre o esplendor e o abismo. Se tua resistência inspira, talvez possamos traduzir em metáforas as contradições deste 20 de janeiro. Afinal, flechas ainda voam, mas agora não apenas contra corpos, mas também contra a dignidade, a justiça e o senso comum.

No campo corporativo, uma nuvem escura anuncia o desligamento de 1.300 trabalhadores da Torre. Parece que o “aviso prévio” não é apenas um protocolo, mas um epitáfio sussurrado ao vento, uma despedida coletiva. Ah, São Sebastião, hoje as flechas não vêm de arcos, mas de planilhas e lucros calculados em silêncio gelado.

Enquanto isso, em Sergipe, o governo acena com a criação de concursos para a educação. Promessas que chegam como flores em meio ao deserto, mas será que brotarão em solo fértil? Ou serão levadas pelas correntes dos ventos de cortes e descasos? Um concurso é sempre uma promessa de renascimento, mas quem garante que o terreno não foi minado pela negligência de gestões passadas?

Davos reluz como um Olimpo moderno, onde os deuses contemporâneos, bilionários e trilionários, traçam suas rotas sobre o planeta. Relatórios apontam que a riqueza cresce como erva daninha em jardins cercados, enquanto a pobreza permanece estagnada, uma praga sem fim. Quatro novos bilionários por semana em 2024. Ah, São Sebastião, que ironia! Enquanto tu resistias pelas almas, o mundo moderno glorifica aqueles que acumulam mais do que podem carregar. Três pratos de comida para um, um prato vazio para mil.

No cenário político, Trump, o maestro do disparate, retoma sua sinfonia desafinada, insistindo que América Latina e Brasil precisam mais dos EUA do que o inverso. Ele disse que os Estados Unidos não precisa do Brasil e da América Latina, ele sabe que não é verdade. O rei do ego, em seu trono de vidro rachado, ignora que as trocas são vias de mão dupla, e que, talvez, os caminhos estejam mais congestionados do que imagina. Ainda que seus decretos reluzam como trovões, não passam de um espetáculo de fogos artificiais – barulho, luz, e, no fim, apenas fumaça. E devemos destacar que os Estados Unidos são os ladrões do mundo.

E, como coro de um teatro surreal, Trump concede perdão a 1.500 condenados pelo ataque ao Capitólio. Transformar agressores em vítimas é a proeza do século. Parece que, enquanto São Sebastião resistia às flechas, Trump distribui as suas. Justiça virou piada, e as leis, escritas em areia. O que dirias, mártir, ao ver o desprezo pelo sacrifício dos inocentes?

Ah, dólar a R$ 6,04, Ibovespa subindo, mas para quem? A bolsa de valores é uma festa para poucos convidados, enquanto os muitos se apertam na fila do pão. Talvez o santo do dia possa interceder, mas será que até ele não perdeu a paciência com este mundo de contrastes?

E assim, entre flechas invisíveis, promessas duvidosas, bilionários que se multiplicam como coelhos dourados e líderes políticos que dançam no fio da insensatez, seguimos. São Sebastião, que tua resistência nos inspire, porque hoje, mais do que nunca, o martírio parece ser o destino de quem ousa lutar por justiça, educação e humanidade.

Que cada um de nós, com nossas pequenas flechas de esperança, continue a resistir.


Por Antônio Glauber Santana Ferreira, professor e cronista em Japaratuba-SE