CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 20 de dezembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira — Japaratuba-SE
Caro(a) leitor é o momento de leitura. O dia 20 amanheceu com cheiro de parto, pólvora jurídica e café requentado da geopolítica. A realidade acordou cedo, bocejou contradições e saiu distribuindo manchetes como quem espalha confete em velório.
Em Nossa Senhora do Socorro, a vida decidiu nascer antes do aviso prévio. Veio ao mundo em casa, sem holofotes, mas com a pressa sagrada dos milagres. A PRF virou parteira do destino, e o choro do bebê foi sirene de esperança — dessas que cortam o trânsito do cansaço e lembram: ainda há futuro respirando.
Enquanto isso, nos gabinetes refrigerados, a justiça vestiu pantufas. Um carimbo pesado caiu leve demais: fraudes na mineração ganharam asas, e presos ganharam a rua como quem recebe licença poética para reincidir. A lama — sempre ela — não suja só rios; enlameia consciências. O absurdo, rindo de canto de boca, pediu bis.
Longe daqui, o mundo cochichou. Coreia do Sul e Rússia sentaram à mesa do silêncio para falar de bombas que não fazem barulho — só envelhecem o medo. A diplomacia, essa xícara trincada, tentou esfriar um chá nuclear servido fervendo pela Coreia Norte. O planeta prendeu a respiração, com medo de engasgar.
E assim terminou o dia: um bebê ensinando a nascer, a justiça tropeçando no próprio salto, e o mundo conversando em sussurros para não acordar o apocalipse. Dezembro segue — curto, irônico e perigosamente humano.




